Posicionar uma marca no mercado não é tarefa fácil e essa foi a missão da administradora e consultora de comércio exterior da São Paulo Alpargatas, investidora e sócia da Amazon Life, Angela Tamiko Hirata. Ela esteve em Florianópolis/SC para falar sobre sua experiência na representação de negócios internacionais, vendas e desenvolvimento de mercado, e mostrou como posicionou a marca Havaianas no cenário internacional, resultando na produção de 750 mil pares por dia e na exportação para 5 continentes e mais de 80 países. Nesta entrevista, a consultora Angela Hirata explica como se baseou nos ícones de brasilidade para conquistar o mercado internacional e como tirou a marca do nicho das commodities para reposicioná-la entre os produtos top. Hoje as sandálias havaianas, produto popular e tipicamente brasileiro, são usadas por formadores de opinião, celebridades e nas lojas mais conceituadas espalhadas pelo mundo.
InfoComércio: Como as Havaianas viraram um fenômeno de vendas mundial?
Ângela Hirata: Fui contratada para posicionar a marca São Paulo Alpargatas no mercado internacional. Foquei nas sandálias Havaianas, produto exportado pela empresa, porque acredito que elas têm a cara do Brasil.
InfoComércio: Qual o segredo para o sucesso de uma campanha internacional?
AH: O trabalho em equipe. Para uma empresa ter sucesso, acredito que é preciso falar a mesma língua e ter um único objetivo, dar importância ao que chamo de gestão. Por isso, hoje a São Paulo Alpargatas é conhecida internacionalmente.
InfoComércio: O que é preciso fazer para transformar um produto popular em algo aceito por todas as classes sociais?
AH: É fundamental acreditar no produto e fazer com que ele tenha uma identidade. Não adianta você ter um produto se não trabalhar a marca. A marca é a identidade, depende de nós para que ela seja reconhecida. O segredo é fazer com que o produto se torne um desejo de consumo.
InfoComércio: Inovação e design contribuem para o sucesso do produto?
AH: Inovação e design são fundamentais para o sucesso de uma marca. Para conquistar o mercado externo com as Havaianas houve muita pesquisa. A equipe de trabalho tem que estar muito alinhada e os profissionais precisam desenvolver um lado empreendedor, estar em constante busca de reconhecimento do mercado, pois só assim o produto vira objeto de desejo.
InfoComércio: Durante a Copa do Mundo, os produtos da Alpargatas estavam com edições especiais em homenagem ao evento. A derrota do Brasil influenciou na venda desses artigos?
AH: Com certeza, sempre afeta no desempenho das vendas. Mas, antes de tudo, é preciso estar preparado para apresentar o produto ao mercado e para lidar com as possíveis interferências que possam ocorrer, como neste caso da Copa do Mundo.
InfoComércio: De que forma a da mídia influenciou no crescimento das vendas dos produtos da empresa?
AH: Na época não tínhamos dinheiro para fazer mídia paga, então trabalhamos muito com assessoria de imprensa. Não houve gastos em mídia, isso até 2005. Com o decorrer do tempo houve possibilidade de fazer investimentos em publicidade no mercado internacional. Porém, dentro do mercado brasileiro sempre houve mídia e isso fortaleceu os produtos.
InfoComércio: Qual a palavra de ordem para transformar uma equipe desestimulada em um time de vencedores?
AH: Faça! Faça aquilo que vocês acham que devem fazer. A meta, nós sabíamos qual era. Independente do horário de trabalho estávamos em busca de resultados.
InfoComércio: Que lições podem ser passadas a partir dessa experiência de sucesso para quem ainda busca novos mercados?
AH: Acreditar no seu produto e fazer um bom planejamento. Pergunte-se: “o que eu quero ser?”
InfoComércio: Há um grande diferencial no valor agregado das havaianas. Como foi a pesquisa de mercado, especialmente no exterior?
AH: O mercado brasileiro sempre trabalhou na classe massiva e na classe alta. Porém, no mercado externo a situação era diferente. Eu tinha que posicionar a marca para estar nos melhores pontos de venda do mundo.
InfoComércio: Qual seria, hoje, o desafio da Alpargatas?
AH: Cada vez mais posicionar a marca no mercado. As pessoas podem observar que ela tem crescido muito, há franquias em diversas regiões do país.
InfoComércio: No processo de fidelização vocês tiveram que trabalhar na Europa a questão de usar o produto no inverno. Além do investimento em mídia, houve algum segredo para conquistar o consumidor?
AH: Foi importante estar sempre junto dos lojistas, dos clientes e fazer com que o produto se tornasse desejo de consumo. E é isso que continua acontecendo, agora nas filiais em Nova York e em Madri.
InfoComércio: Foi muito significativo o aumento das vendas depois da internacionalização?
AH: Com certeza, porque o reconhecimento no mercado exterior sempre reflete no mercado interno.