A atuação do Senac no território nacional e a representatividade e abrangência do SESC são os assuntos da entrevista desta edição da InfoComércio. O Senac, como agente disseminador do conhecimento, forma e qualifica profissionais do setor do comércio de bens, serviços e turismo para o mercado de trabalho; e o SESC, com uma vasta oferta de serviços, volta-se para atender aos comerciários e à sociedade com serviços de educação, saúde, cultura, lazer e assistência.
Nesta entrevista, os diretores Sidney Cunha e Maron Emile Abi-Abib, do Senac e do SESC nacionais, respectivamente, falam da proposta de redução de jornada de trabalho, das ações e perspectivas para 2010 e do Mundial de 2014. Eles ainda discutem os projetos que tramitam no Senado Federal e que, se aprovados, impactam diretamente no trabalho realizado há mais de 60 anos pelas duas entidades.
InfoComércio: O Sistema de Gestão do Senac Santa Catarina foi pela quarta vez consecutiva premiado pelo Movimento Catarinense para a Excelência. Qual a importância de se adotar o modelo de excelência?
SIDNEY CUNHA – Dá orgulho ver o Senac com um sistema de gestão dessa natureza que é comparado com as instituições locais de Santa Catarina. Então isso é um exemplo para o Senac. E, como os conselheiros falaram, é importante que esse modelo seja difundido dentro do Sistema. É isso que nós queremos, que o Senac, cada vez mais, tenha uma gestão adequada, eficiente, mais competitiva para que possamos responder às demandas da sociedade.
InfoComércio: Duas matérias estão tramitando no Senado Federal e impactam diretamente no trabalho realizado há mais de 60 anos pelo Sistema Comércio. O Projeto de Lei n.º 131/2001 propõe a criação do Serviço Social da Saúde (Sess) e do Serviço Nacional de Aprendizagem em Saúde (Senass). Já o Projeto de Lei n.º 174/2009 visa à criação do Serviço Social do Turismo (Sestur) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Turismo (Senatur). Comente o impacto desses projetos nas ações do SESC e do Senac.
SIDNEY CUNHA – O maior impacto é a perda da receita compulsória, porque esses projetos, na verdade, buscam tirar a nossa receita compulsória para oferecer um serviço que nós já fazemos há mais de 40 anos. Então esses projetos são extremamente negativos, não só do ponto de vista da receita da Instituição, mas para toda a sociedade.Até que essas instituições possam oferecer com a mesma qualidade o que o Senac já oferece, haverá um dispêndio de tempo, recursos e eficiência desnecessário para toda a sociedade. Quem perde com ele é o trabalhador, é o usuário, é o comerciário, que têm no SESC e no Senac duas instituições de tradição que fazem um belo trabalho.
MARON EMILE – O impacto é grande. Embora os recursos sejam poucos para que eles consigam a nossa performance, para nós fará muita falta. Mas o pior é o prejuízo causado à classe trabalhadora, que tem acesso a uma estrutura fantástica do SESC e do Senac por todo o País, construída em 63 anos. Beira uma tolice, uma estupidez essa fragmentação, supondo que isso venha melhorar a área da saúde. Ao contrário, isso só vai piorar a área da saúde.
Imagine o Senac – que hoje forma profissionais nas suas quase 400 escolas e que já tem estrutura para esse fim e entrega ao mercado profissionais da área da saúde – começar tudo do zero. Para o SESC é a mesma circunstância. O SESC tem um trabalho na área da saúde ímpar. E não é só isso. Os trabalhadores da área da saúde deixarão de ter acesso aos programas de educação, saúde, cultura, lazer, assistência. Enfim, quem sai mais prejudicado com isso são os trabalhadores e igualmente os empregadores.
É isso que nós queremos, que
o Senac, cada vez mais, tenha
uma gestão adequada,
eficiente, mais competitiva
para que possamos responder
às demandas da sociedade.
InfoComércio: Mundial de 2014: o Senac Nacional, a partir de uma iniciativa do Senac Minas, lançou um programa de profissionalização receptiva. Há um gargalo no Brasil quando o assunto é qualificação turística. Em que consiste o projeto e quais os resultados esperados?
SIDNEY CUNHA – A expectativa é de que o Senac, mais uma vez na frente, cumpra sua função de ser o grande formador dos profissionais que vão dar apoio para que o Brasil tenha uma posição meritória, uma posição que conquistou trazendo a Copa para o País, e, com isso, o Senac faça um trabalho da melhor qualidade. É isso que nós vamos fazer com a preparação desse grupo de trabalho, dos estados sede, dos departamentos regionais, que já estão participando junto ao Departamento Nacional de uma grande campanha do Senac com o trade de turismo; com os representantes das federações de hotéis, bares e
restaurantes; com as empresas; com o governo, que, com certeza, estará empenhado em oferecer o melhor em cada capital sede e nos outros estados que também receberão turistas. Eu penso que isso será uma grande campanha nacional que o Senac deverá liderar com a missão de oferecer uma educação profissional de qualidade.
O comércio tem que buscar
eficiência, então há que se
preocupar com isso.
MARON EMILE – A Copa do Mundo é uma expectativa muito grande para um país. Evidentemente que o Senac e o SESC não podem estar afastados. E o Senac, como preparador de mão de obra, já está fazendo rodadas para se organizar e atender a esse esforço nacional; como foi feito no Panamericano, quando o Senac formou 16 mil voluntários na Olimpíada.
InfoComércio: Um dos argumentos dos sindicatos laborais para a defesa da proposta de redução de jornada de trabalho, de 44 para 40 horas semanais, é a abertura de novos postos de trabalho e a consequente necessidade de profissionalização de novos trabalhadores. Isso é condizente à realidade do mercado de trabalho?
SIDNEY CUNHA – A grande preocupação hoje do Sistema Comércio é com o aumento de custos. O comércio tem que buscar eficiência, então há que se preocupar com isso. Será que haverá um equilíbrio entre emprego e desemprego? Quer dizer, qual é o grande ponto de equilíbrio? Então isso a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) questiona. Será que esse é um bom projeto para os trabalhadores? A gente sabe que na Europa o projeto é duvidoso. Na França deu um resultado diferente do que se esperava. É uma dúvida que a sociedade terá de enfrentar e chegar ao melhor caminho.
...o trabalho desenvolvido pela
Instituição em 2009 com a
implementação do Programa
Senac de Gratuidade ampliou
o atendimento à população de
baixa renda, possibilitando que
mais de 100 mil brasileiros
tivessem acesso a cursos de
educação...
InfoComércio: Quais as perspectivas para o Senac e para o SESC em 2010?
SIDNEY CUNHA – O Senac em 2010 dará continuidade ao trabalho que vem desenvolvendo ao longo de seus 63 anos, contribuindo para o crescimento pessoal e profissional de milhões de brasileiros por meio de uma vasta programação de cursos e atividades em todo o território nacional. Investindo constantemente em tecnologia educacional de ponta e em parcerias estratégicas, o Senac, que em 2008 participou, pela primeira vez em sua história, da Olimpíada do Conhecimento, organizada pelo Senai, inaugurando as provas voltadas às ocupações comerciais, também estará presente na edição 2010. O evento acontecerá em março, no
Rio de Janeiro, e o Senac apresentará competidores em cinco modalidades: Cabeleireiro, Cozinha, Serviços de Restaurante, Maquiador e Técnico de Enfermagem. Outro ponto a destacar é o trabalho desenvolvido pela Instituição em 2009 com a implementação do Programa Senac de Gratuidade, que ampliou o atendimento à população de baixa renda, possibilitando que mais de 100 mil brasileiros tivessem acesso a cursos de educação profissional com o padrão de qualidade característico da Instituição. Com certeza, esse compromisso do Senac com a promoção da inclusão social terá continuidade em 2010. Afinal, esse é um princípio que tem norteado desde sempre as ações da Instituição.
Há uma intenção do SESC,
de modo geral por todo o território
nacional, de ter ações sociais
volantes, ou ações móveis de
orientação social, para
alcançar mais a periferia, onde
está e reside a maioria dos
nossos trabalhadores, da
nossa clientela preferencial.
MARON EMILE – O SESC é sempre vanguardista. Tem atuado nos campos de lazer, assistência, cultura, educação, e é da sua tradição inovar, recriar, repensar as suas ações. A partir deste ano, vamos dar ênfase às ações móveis para alcançarmos mais o País e chegarmos mais ao interior, e não ficarmos presos às nossas bases fixas. Há uma intenção do SESC, de modo geral por todo o território nacional, de ter ações sociais volantes, ou ações móveis de orientação social, para alcançar mais a periferia, onde está e reside a maioria dos nossos trabalhadores, da nossa clientela preferencial. Então um dos focos é dar mais
vitalidade à nossa ação social móvel. De resto, o SESC, como sempre, é um empreendedor. No campo da cultura também temos uma boa perspectiva. Hoje, temos mais de 150 casas de teatro, cinema e sala de exposição com projetos sólidos que, muitas vezes, dão apoio ao Ministério da Cultura e aos demais organismos. Então estamos constituindo na Instituição o maior agente de cultura do País.