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Em programas consistentes de formação, circulação e mapeamento das artes, o SESC torna-se capital para a cultura catarinense. Delirante e realista, cômico e trágico, popular e erudito, vanguardista e primitivo, heróico e carnavalesco. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, brasileiro por vocação, índio, europeu, amarelo e negro por contingência, é a síntese de um presumido modo de ser brasileiro – multiétnico, polimorfo criativo e multicultural. O pensamento “selvagem” retomado pelo modernista Mário de Andrade aparece em uma fábula nacionalista. Ali, está presente o olhar mágico, caleidoscópico, no qual “tudo pode virar tudo”, subvertendo o convencional. A figura do herói é desmistificada. E o anti-herói, por sua vez, é mitificado. Assim, se dá a desconstrução/reconstrução das características de Macunaíma, figura quase arquetípica que personifica nossa busca por uma identidade étnica e cultural e que sintetizaria o caráter nacional brasileiro. E é justamente pelo seu valor simbólico e identitário, de pertencimento e auto-estima e sobretudo, pelos aspectos relacionados à cidadania que a envolvem é que a Cultura, no Brasil como em todo mundo, precisa e deveria ser considerada enquanto política de base, propulsora de estratégias de promoção do desenvolvimento humano.

Política para a Cultura
Para Charles Narloch, membro titular do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura, MinC, mesmo que o poder público exerça papel preponderante no incentivo à produção cultural, em todo o país, por vários motivos, há diversos aspectos envolvidos que precisam ser avaliados, desassociados e sem qualquer dependência do mercado. “Estamos falando de soberania e não apenas do potencial econômico, que é real”, esclarece. Sobre as políticas públicas que ocorrem com participação efetiva e deliberativa da sociedade civil em sua execução e fiscalização, Narloch considera que tem havido uma evolução mas muito lenta e gradual frente às necessidades e expectativas dos segmentos sociais envolvidos. Para ele, os aspectos financeiros e de mercado não devem preponderar quando se pensa uma política pública para a cultura. Mesmo apontando avanços significativos como um incremento expressivo no orçamento do MinC e a Lei Rouanet, que nos últimos anos permitiu financiar iniciativas importantes, Narloch acredita que para os próximos anos, esse modelo deva ser revisto, para que não fique submetido à dependência do mercado.

Referencial
Nesse sentido, o Serviço Social do Comércio, SESC, desenvolve sua ação em cultura partindo do princípio de que se trata de um campo de ação efetiva, do ponto de vista da transformação das pessoas e da sociedade. De acordo com Valdemir Klamt, técnico responsável pelo Programa de Cultura no estado, a Cultura no SESC é entendida como um valor em si mesma, sendo um instrumento de mudança e protagonismo social, o que vai muito além da noção de entretenimento. Nessa sentido, é um programa muito parecido com programa de governo, de Estado, de políticas públicas. É a partir dessa percepção que a entidade investe em programas de formação, circulação e mapeamento das artes, de forma sistemática, o que se reflete significativamente na valorização da cultura local, por meio do fomento à produção cultural. “As artes, o simbólico, aquilo que é imaterial, acaba sendo um valor em si mesmo no sentido em que tem a capacidade de transformar o ser humano, desde a essência”, afirma.

Tri Teatro

Nesse sentido, essa trans-formação ocorre no contato com a obra propriamente dita. Para William Sieverdt, presidente da Federação Catarinense de Teatro e diretor da Trip Teatro de Animação de Rio do Sul, a formação de platéia é uma tarefa a ser permanentemente incrementada. “Hoje, o SESC cumpre com qualidade seu papel social, proporcionando ao público catarinense a possibilidade de desenvolver senso crítico e sensibilidade estética”, afirma. Na opinião do diretor, a entidade atua de forma estratégica, proporcionando, por um lado, o contato permanente com a diversidade de companhias e grupos vindos de diferentes lugares do Estado e do país. Além de propiciar a mais grupos a possibilidade de inserção em um mercado em crescimento, conta, incentivando a cultura de forma permanente e consistente e criando condições para a renovação do cenário cultural regional. A Trip, de Rio do Sul, se firmou como uma das mais atuantes companhias de teatro de animação do país tendo, inclusive, recebido diversos prêmios, entre eles o Itaú-UNICEF, por ter implantado a melhor iniciativa socioeducativa desenvolvida por organização não-governamental de pequeno porte do Sul do país.


Referencial

Nesse sentido, o Serviço Social do Comércio, SESC, desenvolve sua ação em cultura partindo do princípio de que se trata de um campo de ação efetiva, do ponto de vista da transformação das pessoas e da sociedade. De acordo com Valdemir Klamt, técnico responsável pelo Programa de Cultura no estado, a Cultura no SESC é entendida como um valor em si mesma, sendo um instrumento de mudança e protagonismo social, o que vai muito além da noção de entretenimento. Nessa sentido, é um programa muito parecido com programa de governo, de Estado, de políticas públicas. É a partir dessa percepção que a entidade investe em programas de formação, circulação e mapeamento das artes, de forma sistemática, o que se reflete significativamente na valorização da cultura local, por meio do fomento à produção cultural. “As artes, o simbólico, aquilo que é imaterial, acaba sendo um valor em si mesmo no sentido em que tem a capacidade de transformar o ser humano, desde a essência”, afirma.











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