Como inovar sem pesquisa?

Atualizado em 16 julho, 2018

O Dia Nacional da Ciência, comemorado em 8 de julho no Brasil, é uma data para refletir sobre o progresso científico em nosso país neste contexto de inovações constantes. Estar conectado às mudanças é condição indispensável para a competitividade e o sucesso econômico em Santa Catarina.

A consciência desse papel já existe desde a promulgação da Constituição Estadual, em 1989. O artigo 193 preconiza que 2% das receitas correntes, descontados os repasses aos municípios, devem ser investidos em pesquisa cientifica e tecnológica. Porém, esse artigo vem sendo constantemente descumprido desde 2012, segundo relatório do TCE-SC.

Além disso, Santa Catarina prevê em lei que os recursos de pesquisa científica e tecnológica devem ser alocados de maneira equânime entre a Fapesc e a Epagri, regulamento que nunca foi cumprido.

O Governo alega ter investimento maior na Epagri, com pesquisa na área da agricultura, em detrimento da Fapesc, que cumpre o papel de pesquisa em áreas que trabalham na fronteira tecnológica. Apesar de o país estar passando por uma 4º revolução industrial mundial, os investimentos do setor público em pesquisa não têm crescido em Santa Catarina.

Nesse molde legal não há perspectiva de avanço em diversos campos do conhecimento, já que todas as outras áreas disputam apenas metade do orçamento juridicamente, mas na prática muito menos que isso. Segundo o último relatório do Tribunal de Contas, apenas 7,47% dos recursos foram para a Fapesc em 2017, o que corresponde a R$ 35,7 milhões.

Diante desses números, o questionamento é: por que a pesquisa científica em nosso Estado, nacionalmente conhecido como inovador, é deixada de lado? O bom exemplo vem de programas da iniciativa privada, como o Senac Inovação, que capacita gestores a buscar soluções inteligentes para seus negócios e, assim, mantém a chama do progresso tecnológico acesa em Santa Catarina. Sem uma política de Estado articulada com os polos de inovação e o setor produtivo, com os devidos aportes de recursos, a ciência em Santa Catarina não poderá contribuir para os mais recentes avanços tecnológicos que ocorrem a nível global.

A realidade brasileira- com a indústria perdendo competitividade internacionalmente, cidades carentes de soluções inteligentes e com um setor de serviços ainda pouco capaz de oferecer tecnologias de última linha- exige uma política cientifica e tecnológica mais atuante em Santa Catarina. A sociedade catarinense almeja pelo progresso tecnológico e finalmente por uma inserção do Estado no ciclo tecnológico internacional. A solução de muitas de mazelas no Estado só poderá surgir da ciência. O novo governante que será eleito em outubro deve ter a consciência que este é o único caminho.

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