Consumidores estão mais otimistas para 2026 do que empresários em SC, aponta pesquisa da Fecomércio

Atualizado em 13 janeiro, 2026

O ano de 2026 começa com expectativas divergentes para a economia entre consumidores e empresários catarinenses. Enquanto os clientes do varejo demonstram maior otimismo, entre os empreendedores predomina a cautela. Mais da metade dos consumidores (55%) acredita que a situação econômica vai melhorar neste ano. Entre os empresários, esse percentual cai para 33%, o equivalente a um terço do total. Os dados são de pesquisas realizadas pela Fecomércio de Santa Catarina no fim do ano passado.

Entre os varejistas, apenas 26,2% dos entrevistados afirmaram que pretendem investir no negócio, seja com a abertura de novas lojas ou a ampliação das já existentes. Por outro lado, a maioria (63,5%) afirmou que não fará investimentos no período, enquanto pouco mais de 10% não souberam responder.

Em relação à economia como um todo, 35,4% dos empresários acreditam em uma piora do cenário ao longo do ano, enquanto 33,3% disseram confiar em uma melhora. Uma parcela relevante, de 21%, avalia que a situação deve permanecer igual, e 10,4% não souberam responder.

Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, o alto custo do crédito é o principal fator de pessimismo entre os empresários. O ano começou com a taxa básica de juros, a Selic, em 15%, o maior patamar em duas décadas. O cenário eleitoral também pode ter impactado negativamente os resultados do levantamento.

“Os empresários estão cautelosos, e com razão. Embora haja a perspectiva de queda dos juros neste ano, em função da inflação mais baixa, o crédito segue muito caro. É possível que a situação melhore ao longo do ano, mas precisamos acompanhar. Além disso, os gastos do governo podem aumentar em razão das eleições. Todo esse contexto ajuda a explicar o pessimismo entre os empresários”, afirma Dagnoni.

Consumidores mais otimistas

O sentimento entre os consumidores é distinto. A maioria dos entrevistados (55%) acredita em uma melhora do cenário econômico ao longo do ano. Já 23% creem em uma piora, enquanto 19% avaliam que a situação deve permanecer igual.

A pesquisa da Fecomércio foi realizada em sete cidades catarinenses. Itajaí apresentou o maior índice de otimismo, com 81% dos entrevistados afirmando que haverá melhora. Em Lages, o percentual também ficou acima da média estadual, com 80,7%. Em Criciúma, a taxa foi de 56,3%, levemente superior à média. Por outro lado, Chapecó (53%), Florianópolis (52%) e Blumenau (48%) registraram percentuais abaixo da média estadual. O resultado mais surpreendente foi o de Joinville, onde apenas 17% dos entrevistados acreditam em melhora do cenário econômico.

Segundo a economista da Fecomércio, Edilene Cavalcanti, um dos fatores que explicam o otimismo dos consumidores é a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, aprovada no fim do ano passado pelo Congresso Nacional. A medida, segundo ela, tende a estimular o consumo entre uma parcela significativa da população.

“A nossa pesquisa também indicou que cerca de 70% dos catarinenses acreditam que a situação financeira pessoal vai melhorar neste ano. Além disso, aproximadamente 80% se sentem seguros ou muito seguros em relação ao emprego. Essa combinação cria uma base importante para a realização de investimentos de longo prazo, como a compra da casa própria ou de um veículo”, afirma Edilene.

Carência de mão de obra

O levantamento também questionou os empresários sobre os principais desafios para 2026. A escassez de mão de obra qualificada (28%) e o aumento dos custos (27%) foram os mais citados. Também apareceram como preocupações a concorrência com plataformas digitais (15%) e a redução da demanda (13%).

Na avaliação da economista da Fecomércio, o mercado de trabalho deve seguir aquecido neste ano. Em Santa Catarina, a taxa de desemprego está pouco acima de 2%, enquanto, no cenário nacional, o índice é de 5,2%.

“Com esse cenário, os trabalhadores tendem a ser mais seletivos na escolha das vagas, o que pode pressionar os salários para cima. Esse movimento já foi observado em 2025 e deve se repetir em 2026”, avalia Edilene.

As pesquisas da Fecomércio foram realizadas no fim do ano passado e ouviram 405 empresários em 11 cidades e 2.100 consumidores em sete cidades de Santa Catarina

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