Pessimismo aumenta entre empresários do varejo e confiança atinge menor nível em quatro anos no estado
A confiança dos empresários do varejo está em queda em Santa Catarina. O índice medido pela Fecomércio SC, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), recuou 5% em agosto, atingindo 93,7 pontos — o menor número desde maio de 2021. A tendência de baixa começou em novembro do ano passado. Historicamente, uma pontuação abaixo de 100 indica pessimismo por parte do setor terciário.
Segundo o presidente da Fecomércio, Hélio Dagnoni, a deterioração do cenário econômico, com os juros elevados afetando o acesso ao crédito e o nível de consumo, explica parte desse resultado. Apesar disso, ele ressalta que o primeiro semestre foi marcado por um crescimento acima das expectativas.
“A pesquisa aponta que a confiança do empresário catarinense é a segunda mais baixa do Brasil hoje, à frente apenas do Rio Grande do Sul. Isso pode ser explicado por uma piora das expectativas para os próximos meses. De fato, esperamos uma desaceleração da economia, que já aparece em diversos indicadores, como a geração de empregos. Ainda assim, vale ressaltar que seguiremos crescendo — só que em um ritmo menor até o fim do ano”, afirma Dagnoni.
A queda na confiança foi ainda mais acentuada entre empresas com mais de 50 funcionários, que registraram retração de 8,3%. Subindicadores como o índice de expectativas futuras (-7,9%) e a percepção em relação às condições atuais (-6,8%) também mostraram recuos significativos.
De acordo com a economista da Fecomércio, Edilene Cavalcanti, um dos fatores que contribuem para esse movimento é o recente tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros:
“É um fator de instabilidade muito grande. Santa Catarina é um dos estados mais afetados pelas tarifas, então isso ajuda a explicar o aumento do pessimismo”, afirma.