ECONOMIA

Selic aumenta e juros voltam aos níveis de 2019

Atualizado em 23 setembro, 2021

O ciclo de mínimas históricas da SELIC e de incentivo monetário a expansão econômica começa a ser encerrado e há possibilidades da taxa estar acima do nível de neutralidade (retirada de estímulos da atividade econômica) até o final de 2021 em virtude do avanço da inflação e da pressão dos preços para diversos produtos. Ainda, a alta de componentes importantes, como energia elétrica e combustível, torna o cenário mais arriscado, pois esses itens são base para formação de outros preços, e a elevação pode levar a um efeito em cascata, contaminando os demais.

A elevação da taxa básica de juros da economia, de 5,25% para 6,25% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta quarta-feira (4), impacta diretamente na expectativa e na confiança do empresário e do consumidor.

Confira o dashboard com os dados dinâmicos e a análise da Fecomércio SC

SELIC em ciclo de elevação em 2021

O Comitê de Política Monetária (Copom) permanece no ciclo de normalização monetária no ano corrente, ao ampliar em mais 1 ponto percentual (p.p.) a SELIC em setembro, assim, a taxa passou de 2,0% para 6,25% ao ano, acréscimo de 4,25 p.p. em um intervalo de 7 meses.  Com esse resultado, a taxa retorna aos patamares semelhantes ao início de 2019 (6,5% a.a.) e está acima do último nível da pré-crise (fevereiro de 2020 – 4,25% a.a.).  Ainda, o comitê antevê nova alta em igual magnitude para a próxima reunião marcada para final de outubro.

Em agosto, a inflação oficial acelerou 0,87% diante do mês anterior, maior patamar em 21 anos para o período, e alcança 9,68% no acumulado de 12 meses, infringindo o limite máximo da meta de inflação definida para o ano de 2021 que foi de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 p.p., para mais ou para menos.

Além da deterioração do cenário inflacionário, pesam na decisão da elevação dos juros o risco do cenário externo quanto à desaceleração da economia, refletindo a evolução da variante Delta  e o aperto monetário em economias emergentes. Do lado dos fatores domésticos, os riscos são concentrados na crise hídrica, retorno gradativo das atividades econômicas, controle das contas públicas e a ancoragem da inflação em relação à meta para 2022.

No âmbito das expectativas de mercado, o aperto monetário deve ser intensificado até atingir ao final do exercício 8,25%. Esse contexto é reforçado pela elevação de 24 semanas seguida nas expectativas da inflação para 2021, que atinge 8,35%. Nota-se que a ancoragem das expectativas do IPCA para 2022 está em tendência de crescimento nas últimas 9 semanas e encontra-se acima da meta da inflação (3,5% a.a.), mas dentro do intervalo de tolerância,  ao situar-se em 4,10%.

Taxa média de juros das operações de crédito começam aumentar

A SELIC baliza as taxas de juros praticadas em empréstimos ou financiamentos, assim os ajustes realizados interferem diretamente no  mercado de crédito. Entre agosto de 2020 e março de 2021, enquanto a SELIC estava em mínima histórica,  a média da taxa de juros das operações de crédito (Total) ficou em 19,01% a.a., já em julho de 2021, a taxa passou para 20,37% a.a. Esse sutil acréscimo é sinal de que as taxas de juros levam um período mais longo para se adaptarem ao novo cenário, mas a tendência é manutenção da trajetória de crescimento. Movimento histórico é semelhante, entre 2016 a 2020, quando a SELIC passou de 14,25% para 2% a.a., a taxa de juros diminuiu 12,05 pontos porcentuais, 32,19% para 20,14%.

Famílias Catarinenses têm maior dificuldade de acesso ao crédito 

As variações das taxas de juros recaem sobre as expectativas dos empresários e das famílias, especialmente, em relação aos níveis de investimento e consumo. Os efeitos do aumento podem desestimular o consumo e o investimento por causa do encarecimento do crédito.

A confiança do empresário do comércio catarinenses quanto ao nível de investimento situa-se em patamar otimista e avançou 16,62% na passagem do mês de agosto. A expectativa de ampliar os investimentos em pouco ou muito esteve presente na maioria das respostas dos empresários em agosto (76,7%). Percebe-se que o otimismo pode estar atrelado ao avanço das atividades econômicas e da expectativa de manutenção desse ciclo, sobretudo devido à ampliação da imunização. Mas, a elevação dos juros, as instabilidades institucionais e a elevação da alíquota do IOF podem reverter esse quadro no curto prazo.

Movimento divergente é observado na confiança das famílias catarinenses para o acesso ao crédito, que permanece na perspectiva negativa desde março de 2020, inclusive, o índice reforça movimento de redução em agosto com a aceleração da queda em 3,86% diante do mês de julho. Além do mais, 57,8% dos consumidores catarinense afirmam ter mais dificuldade de acesso ao crédito em agosto. Ao comparar com igual período de 2020 (45,48%), houve avanço de 12,32 n.p., essa proporção mais elevada pode ser oriunda das diminuições de linhas de crédito, restrições financeiras, falta de garantias ou da ampliação dos juros. A  média de juros para pessoas físicas está em patamar inferior a 2019 (30,34% a.a.)  e 2020 (25,60% a.a.), ao situar-se em 24,65% a.a. em julho de 2021, mas tem apresentado movimento de alta desde dezembro de 2020 (23,16% a.a.).

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