Endividamento recua, mas inadimplência cresce entre os catarinenses

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência dos Consumidores (PEIC) de março de 2013, divulgada nesta quinta-feira pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina, revela que, na comparação com fevereiro, o percentual de catarinenses endividados recuou 0,2 pontos percentuais, passando de 86,9% para 86,7%. A pesquisa também apontou um crescimento no percentual de famílias inadimplentes, de 22,6% em fevereiro para 28,9% agora em março. Porém, de acordo com o economista da Fecomério-SC, Mauricio Mulinari, o padrão de endividamento ainda segue positivo, com a maior parte das famílias não tendo contas em atraso e com condições de pagar suas dívidas.

Neste link, baixe o relatório completo da pesquisa.

Na análise por faixa de renda, é possível perceber que as famílias com rendimento inferior a 10 salários mínimos são um pouco menos endividadas (85,4%) que o grupo com renda superior a 10 mínimos (91,4%). Na categoria dos muito endividados, há maior participação (20,4%) das famílias com renda até 10 mínimos, contra 11,8% dos que têm renda superior. O inverso ocorre na categoria dos pouco endividados, com 25,4% nos com renda menor, contra 41,9% nos que possuem rendimentos acima de 10 salários mínimos.

Quando o marco de análise é o nível de endividamento das famílias, os muito endividados variaram significativamente (aumento de seis pontos percentuais), passando de 12,5% em fevereiro para 18,5% em março. Os mais ou menos endividados tiveram uma pequena queda, passando de 39,8% em fevereiro para 39,1% em março. Entre os pouco endividados, houve, também, uma queda relevante: de 34,8% registrados em fevereiro para 29,1% em março. Aqueles que responderam não ter dívidas somam 13,3%, ante 13,1% em março de 2013.

Cartão de crédito na liderança

Com relação aos principais tipos de endividamento, mais uma vez, o cartão de crédito segue como o principal responsável, com 54,3 % das dívidas dos catarinenses. A comodidade, a grande expansão dos cartões de crédito nos últimos anos, a queda nas taxas de juros e outras facilidades deste tipo de produto financeiro são os principais motivos para sua alta participação na estrutura de endividamento dos catarinenses. Em segundo, terceiro e quarto lugares aparecem, respectivamente, os financiamentos de carros (14,2%), carnês (11,1%) e financiamento imobiliário (9,6%).

No que diz respeito ao tempo de comprometimento, a maioria dos catarinenses endividados tem débitos por mais de um ano (50%). Aqueles que têm dívidas até três meses representam 36,3%. Entre três e seis meses, são 5,8%. E, por fim, entre seis meses e um ano são 7,7%. O tempo médio de comprometimento com dívidas ficou em 7,5 meses.

A parcela da renda familiar comprometida com dívidas apresentou pouca variação. O comprometimento de menos de 10% apresentou alta de 0,8 pontos percentuais, marcando, em março, 14,1%. Na faixa entre 11% a 50%, a variação negativa foi de 5,8 ponto percentual, estando agora em 62,9%. E o comprometimento da renda acima de 50% passou de 17% para 22,2%, alta de 3,2 pontos percentuais. Na média, o comprometimento da renda familiar do catarinense ficou em 32%, que mesmo não sendo um valor exorbitante, está próximo ao topo daquilo que é recomendado, o que causa uma leve preocupação.

Mais dificuldade para pagar contas vencidas

A quantidade de famílias com contas em atraso apresentou alta na comparação entre fevereiro e março, de 22,6% para 28,9%. Dentre as famílias endividadas e com contas em atraso, 30,2% afirmaram que terão condições de pagar totalmente suas dívidas, ante 27,8% registrados no mês anterior. O tempo de pagamento destas contas em atraso se concentra acima dos 90 dias, representando 52,6%. Em geral, a média de tempo em dias para quitação das dívidas em atraso tem sido de 66,6 dias. O número de famílias que não terão condições de pagar suas dívidas aumentou em março para 13,8% – 5 pontos percentuais acima do resultado obtido em fevereiro.

Análise da Fecomércio

A PEIC de março de 2013, realizada pela Fecomércio-SC a partir da pesquisa nacional feita pela CNC – Confederação Nacional do Comércio, apresentou a manutenção de um padrão positivo no endividamento familiar do catarinense.

“A tendência apresentada pelos números é de ajustamento na relação endividamento e quitação dos débitos contraídos, a despeito deste quadro ter apresentado relativa deterioração no mês de referência, dado um aumento das famílias com conta em atraso e das famílias que não terão como pagar suas dívidas. A expectativa de ganhos de renda das famílias, nos próximos meses, faz com que este quadro que apresentou leve deterioração mensal se recupere, trazendo um menor nível de inadimplência e um menor comprometimento da renda com dívidas”, explica Mauricio Mulinari.

De acordo com o economista da Fecomércio-SC, com o esperado crescimento da economia brasileira, aumento da geração de empregos, da renda e do crédito facilitado, o endividamento tende à estabilização junto com a manutenção do padrão positivo da relação dívida/renda das famílias catarinenses e uma menor inadimplência. Ou seja, para o comércio catarinense, a perspectiva segue sendo positiva em relação às compras realizadas com base no endividamento.

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Última atualização: 21 de março de 2013