Especialistas falam sobre as Cidades Inteligentes no debate na Fecomércio

Realizado através de uma parceria entre a Fecomércio-SC, Prefeitura de Florianópolis e ÁgoraLab, laboratório multi-institucional vinculado à UFSC, o Seminário Cidades Inteligentes, Cidades do Futuro lotou o auditório da federação, na tarde de terça-feira, dia 4 de maio, com pessoas interessadas em ouvir e debater as propostas apresentadas nas palestras dos especialistas estrangeiros.

Representando a Fecomércio-SC, o vice-presidente da Habitação da entidade, Fernando Amorim Willrich, disse que o evento estava alinhado com a missão da federação de representar as empresas do comércio de bens, serviços e turismo objetivando o desenvolvimento sustentável. “Florianópolis, hoje, sofre com as consequências de um desenvolvimento acelerado e da concentração urbana. E precisa encontrar, rapidamente, soluções criativas e inteligentes que a ajudem a superar o impasse que está vivenciando. Para tanto, a cidade necessita de um projeto que implica uma mudança de conceito, um planejamento no qual a questão da sustentabilidade esteja inserida em todas as decisões que se venha a tomar”, afirmou Willrich.

O prefeito Cesar Souza Junior, que assinou durante o evento um convênio com o ÁgoraLab para o desenvolvimento do projeto Florip@21, prevendo investimentos na área do entorno do Sapiens Park, em Canasvieiras, disse que o Seminário Cidades Inteligentes veio no momento em que a Florianópolis discute o seu novo Plano Diretor. “Esse convênio mostra que essa parceria não é só para um evento. Florianópolis quer ser a base do projeto das Human Smart Cities (Cidades Humanas Inteligentes) no Brasil. Há muita coisa que pode ser aplicada na nossa cidade, modelos já testados e aprovados. Florianópolis precisa se repensar, olhar as experiências que deram certo para fazer com que a nossa cidade seja ainda mais encantadora”, afirmou.

Economia criativa

Diretor do ÁgoraLab, o professor Eduardo Moreira Costa disse que as cidades são feitas para as pessoas, e não para os automóveis. E Florianópolis, que tem 47% do seu PIB originado na chamada indústria criativa, tem condições de desenvolver soluções inteligentes para os seus problemas. Costa também detalhou o projeto Florip@21, que prevê a criação de um curso de pós-graduação em inovação, um jardim botânico na área do Sapiens Park, um terminal marítimo em Canasvieiras e a construção de um prédio icônico, que marque a opção da cidade pela economia criativa e o desenvolvimento sustentável.

Professor do MIT (Massachussets Institute of Technology), Kent Larson explicou que as cidades desenhadas em favor da máquina (os carros) não são sustentáveis, e que o laboratório que dirige no instituto desenvolve projetos baseados nas necessidades humanas, e que o modelo ideal de cidade inteligente é aquele em que as pessoas podem ter tudo o que precisam num espaço de 10 minutos de caminhada, algo parecido com os “arrondissements” de Paris, a antiga divisão administrativa da capital francesa instituída em 1861. Em seguida, Larson apresentou os projetos baseados nos conceitos de mobilidade sob demanda, compartilhamento de escritórios, residências com espaços moduláveis e, até mesmo, hortas aeropônicas para produção de alimentos em casa em pequenos espaços.

Norte-americano de origem indiana e também pesquisador do MIT, Praveen Subramani, também apontou o automóvel como o culpado pela imobilidade nas cidades. “As pessoas saem de casa para trabalhar e deixam os carros parados oito, nove horas em estacionamentos que ocupam uma área correspondente a 30% das cidades, em média. Não faz sentido”, explicou Subramani, que detalhou alguns dos projetos de veículos elétricos compartilhados, pequenos e não poluentes, desenvolvidos pelos engenheiros do MIT. Alguns já se encontram em teste em Nova York, e podem ser usados pagando-se uma taxa de 15 dólares por dia.

Vizinhança mais humana

O finlandês Jarmo Suominen, diretor do Future Home Institute da Universidade Aalto, falou sobre novas formas de se estruturar as cidades e citou o exemplo dos restaurantes por um dia, populares em Helsinque, que podem ser abertos por qualquer pessoa, sem necessidade de formalização, e a utilização dessas iniciativas em intervenções urbanas realizadas pelo poder público, como as “plattas”, que reúnem restaurantes, piscinas públicas e espaços de convivência em plataformas artificiais construídas nas inúmeras baías e canais junto no Golfo da Finlândia, no Mar Báltico. A ideia, de acordo com Suominem, é tornar a vizinhança mais humana e encontrar o melhor uso para o que já existe.

Último palestrante a falar, o português Álvaro Oliveira, presidente da Alfamicro e fundador da Rede Global de Inovoação, fez um relato das experiências europeias bem-sucedidas e disse que o foco das Cidades Humanas Inteligentes são as pessoas e a tecnologia é a ferramenta para fazer isso acontecer. “Sabemos que temos que mudar o nosso comportamento e, para transformar a sociedade, a administração pública precisa envolver os cidadãos e estar aberta a ouvi-los. Abrir os dados da cidade, seus serviços e negócios, saber os desejos e as necessidades das pessoas. Encontrar um ponto de equilíbrio entre as decisões que vem de cima para baixo e a vontade que vem de baixo para cima, com o objetivo de se criar um ecossistema de inovação que gere riqueza e emprego”, afirmou Oliveira.

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Última atualização: 5 de junho de 2013