Inflação desacelera com queda nos preços dos alimentos e transportes

O IPCA variou 0,03% em julho, 0,23 pontos percentuais abaixo da variação registrada em maio (0,26%). O acumulado do ano ficou em 3,18%, superior aos 2,76% registrados no mesmo período de 2012. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice ficou em 6,27%, abaixo, portanto, dos 6,70% registrados no mês passado e voltando a se situar abaixo do teto da meta de inflação estipulado pelo Banco Central (6,5%).

O grupo Alimentação e Bebidas se manteve em processo de desaceleração e, após a taxa de 0,04% de junho, chegou a apresentar queda de -0,33% em julho, com impacto de –0,08 ponto percentual. Desde julho de 2011, cujo resultado foi de -0,34%, não ocorria deflação nos alimentos.

Mas o grupo dos Transportes veio com -0,66%, constituindo deflação ainda maior do que a dos alimentos e exercendo -0,13 ponto percentual de impacto no índice do mês. As tarifas dos ônibus urbanos ficaram 3,32% mais baratas e lideraram a relação dos impactos para baixo, com –0,09 ponto percentual.

As Despesas Pessoais, que tiveram variação de 1,13%, o mais alto resultado de grupo, foram pressionadas pelo empregado doméstico, item com impacto de 0,06 ponto percentual, o maior no índice do mês diante da alta de 1,45%. No grupo, merecem destaque, ainda, o item recreação, com 1,25%, e cabeleireiro (1,62%), ou seja, aqueles associados aos serviços.

Já o INPC variou -0,13% em julho, 0,41 ponto percentual abaixo da variação registrada junho (0,28%). No acumulado de 2013 marcou 3,17%, acima dos 3,00% relativos ao mesmo período de 2012. O acumulado de 12 meses ficou em 6,38%, inferior ao acumulado de 12 meses apresentado em maio (6,97%). Os produtos alimentícios apresentaram queda de 0,40% em julho, enquanto os nãos alimentícios ficaram com –0,01%. Em junho, os resultados se situaram em – 0,10% e 0,38%, respectivamente.

As manifestações pelo país que trouxeram queda nas passagens de ônibus urbano em diversos municípios e a tardia queda do preço dos alimentos fizeram com que o IPCA voltasse para dentro da meta do Banco Central. Além disso, a menor demanda trazida pela perda de poder de compra dos brasileiros no primeiro semestre também contribuiu para o arrefecimento dos preços.

A Fecomércio considera positiva essa desaceleração dos preços, que deve trazer melhora na situação financeira das famílias e uma pequena recuperação para as vendas do comércio, que estavam bastante prejudicadas no primeiro semestre. Entretanto, lembra que a inflação dos serviços continua elevada, mantendo o indicador pressionado. Desta maneira, fatos novos como a péssima safra do trigo na Argentina ou a expressiva revisão das tarifas de energia elétrica da Celesc, por exemplo, podem trazer novas elevações inflacionárias nos próximos meses.
 

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Última atualização: 7 de agosto de 2013