Pesquisa Fecomércio mostra percepção dos empresários quanto à infraestrutura na temporada

O armazenamento de água é o setor que mais preocupa os empresários de Florianópolis e Balneário Camboriú. É o que aponta a Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC) realizada com empresários de Balneário Camboriú e Florianópolis para identificar a dimensão dos problemas e seus impactos para a atividade empresarial.

Entre os dias 14 e 17 de janeiro, foram entrevistados 340 empresários com o objetivo de avaliar o impacto dos problemas de infraestrutura para a atividade empresarial.

Na manhã desta sexta-feira, dia 21 de fevereiro, a Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio promoveu uma reunião aberta para divulgar as percepções e investimentos revelados pelos empresários entrevistados.

Além do presidente da Fecomércio SC, Bruno Breithaupt, do diretor- executivo da Federação, Marcos Arzua, e do presidente da Câmara de Turismo, João Moritz, participaram do debate o presidente da Celesc, Cleverson Siewert, a secretária de Turismo de Florianópolis, Maria Cláudia Evangelista, o vereador da Câmara Municipal da Capital, Edmilson Pereira, o presidente da Empresa Municipal de Água e Saneamento de Balneário Camboriú, André Ritzmann, e outras entidades do setor, empresários e representantes do legislativo e executivo de Florianópolis e Balneário Camboriú.

O presidente da Celesc abriu o debate e enfatizou a importância da reunião aberta. Apresentou um breve histórico da companhia no abastecimento de energia elétrica no Estado. Falou ainda sobre os planos de investimentos da Celesc em torno de R$ 1,75 bilhões, que na sua visão, é “robusto”.

Aumento no uso de eletrodomésticos

Siewert comentou sobre o incentivo do governo federal na compra de eletrodomésticos da linha branca com imposto reduzido e apontou a ação como “a responsável pelo crescimento no consumo de energia elétrica na temporada de verão”.
“Durante o ano de 2013, o crescimento no uso de eletrodomésticos no Estado foi de 4%. E somente nesta temporada de verão, pulou para 18%. A adesão é sinal de melhora na condição de vida das pessoas, mas quadruplicou o número de aparelhos ligados”, comentou o presidente da Celesc.

Durante o debate, foi enfatizado pelo representante da Celesc que não há problemas de abastecimento de energia elétrica de alta tensão, mas sim há escassez na de baixa tensão em períodos como esta temporada, que teve um número de turistas acima do esperado.

Bruno Breithaupt, presidente da Fecomércio, rebateu que o incentivo fiscal do governo federal com a linha branca é um benefício da sociedade e que é necessário um trabalho conjunto para resolver os problemas de falta de água e luz, que são recorrentes.

O diretor-executivo da Fecomércio, Marcos Arzua, levantou então a necessidade de se fazer investimentos e planejamento focados na alta temporada, na atividade turística, já que o abastecimento médio – durante o restante do ano – é eficiente.
“O prejuízo registrado nesta temporada afugenta as pessoas. O turista passa o ano inteiro planejando a sua viagem, fazendo economias. E ele não volta mais se não é bem recebido com infraestrutura mínima. É preciso separar as coisas. A alta temporada necessita de tratamento específico, que fuja do planejamento habitual”, aponta Arzua.

Após o comentário do diretor-executivo da Federação, o presidente da Celesc reafirmou a importância de se discutir em sociedade o assunto e disse que a companhia tem evoluído desde 2011, mas que os programas são geralmente vinculados à indústria. Falou ainda que, realmente, não há um planejamento específico para o turismo, mas que levará adiante a estratégia sugerida por Arzua.

A secretária de turismo, Maria Cláudia Evangelista, também ressaltou a relevância do encontro, que coloca Santa Catarina como destaque no turismo, e afirmou que a partir das pesquisas é que se pode planejar ações e melhorias para o futuro e solução dos problemas diagnosticados.

Problemas enfrentados

Entre os problemas citados na temporada deste ano, a falta de água e de luz foram os responsáveis pelas maiores dificuldades e prejuízos enfrentados pelo setor que abrange o turismo das duas cidades.
Em Balneário Camboriú, a falta de água foi o entrave de 52% dos empresários, seguida da falta de luz (44,3%). Em Florianópolis, a luz foi o principal problema, com 52,6% dos entrevistados dizendo que a falta de infraestrutura na rede de energia elétrica acarretou em prejuízos. A falta de água ficou sem segundo lugar, com 47,4%.

Nos anos anteriores, a maioria dos entrevistados das duas cidades disse que esses mesmos problemas haviam afetado menos nas outras temporadas. Em Balneário Camboriú, por exemplo, que este ano teve 44,3% de empresários alegando falta de luz, em anos anteriores, a porcentagem foi de 15,3% no mesmo quesito.

Prejuízos e investimentos

Entre os prejuízos citados pelos empresários, o fechamento antecipado dos estabelecimentos foi responsável por 32,92% dos problemas enfrentados nesta temporada em Balneário Camboriú.

Em Florianópolis, a compra de água foi apontada como prejuízo para 20% dos entrevistados (bares, pousadas, restaurantes e hotéis), seguida do check-out antecipado (15%). Pouco mais de 72,7% das pousadas, na Capital, tiveram o check-out antecipado como o principal prejuízo. Nas pousadas de Balneário Camboriú, a perda de estoques e alimentos liderou os prejuízos (50%).

Pelo menos 69,3% de empresários de Florianópolis, e 51,1% de Balneário Camboriú, disseram que precisaram investir em armazenamento de água no último ano. Com geração de energia, o investimento foi menor, com 27,4% em Balneário Camboriú e 35,6% em Florianópolis.

Acesse a pesquisa na íntegra, com mais dados das duas cidades, aqui.

Foto: Cristiano Prim
 

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Última atualização: 21 de fevereiro de 2014