Constância inflacionária preocupa apesar da queda mensal de 0,25 pontos percentuais

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de abril apresentou variação de 0,67% e ficou abaixo da taxa de 0,92% registrada no mês de março em 0,25 ponto percentual. Nos quatro primeiros meses do ano, a variação situou-se em 2,86%, acima da taxa de 2,50% de igual período de 2013, mostrando que a inflação acelerou, principalmente nos últimos dois meses. Na comparação anual, o índice foi para 6,28% e ficou acima dos 6,15% relativos aos 12 meses anteriores.

No grupo Alimentação e Bebidas, ocorreu redução tanto nos alimentos consumidos em casa, que passaram de 2,43% para 1,52%, quanto fora, de 0,96% para 0,57%. Apesar do menor crescimento, grande parte dos alimentos continuou com preços em alta, sendo responsável pela maior parte do IPCA.

No grupo dos Transportes, com 0,32%, enquanto havia atingido 1,38% em março, sobressai a queda de 1,87% nas tarifas aéreas já que haviam apresentado alta de 26,49% no mês anterior. Além disso, tanto combustíveis quanto ônibus e automóveis subiram menos. O etanol veio de 4,17% em março e foi para 0,59% em abril, levando a gasolina de 0,67% para 0,43%. Quanto às tarifas dos ônibus urbanos, passaram de 0,60% para 0,24%. As tarifas dos ônibus intermunicipais (de 0,47% para 0,35%) também cresceram menos, assim como os automóveis novos (de 0,78% para 0,29%) e usados (de 0,78% para 0,20%).

Além dos alimentos e dos transportes, mais três dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados mostraram redução na taxa de crescimento de março para abril, destacando-se as Despesas Pessoais (de 0,79% para 0,31%), com queda de 0,02% nos serviços de manicure e desaceleração em outros itens, como empregado doméstico (de 1,28% para 0,58%) e cabeleireiro (de 0,79% para 0,03%).
Do lado dos quatro grupos que apresentaram variações superiores a março, Saúde e Cuidados Pessoais desponta com 1,01% ante 0,43% em decorrência do aumento nos preços dos remédios, cuja alta ficou em 1,84%, levando a um impacto de 0,06 ponto percentual, o maior no mês. Por fim, nas despesas com Habitação (de 0,33% para 0,87%), destaca-se a influência da conta de energia elétrica e da taxa de água e esgoto, que ficou mais cara em 0,76%.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou variação de 0,78% em abril e ficou abaixo do resultado de 0,82% de março. Nos quatro primeiros meses do ano, a variação situou-se em 2,90% abaixo da taxa de 2,66% de igual período de 2013. Considerando os últimos doze meses, o índice ficou em 5,82%, acima da taxa anterior de 5,62.

A aceleração do nível de preços, verificada principalmente nos últimos dois meses, se deve em grande parte aos reajustes dos preços dos alimentos e dos transportes. Entretanto, houve aumentos consideráveis na maioria dos grupos, o que traz preocupação para essa constância inflacionária. Desse modo, apenas aumentar juros não é suficiente para controlar a atual inflação brasileira. O problema exige novas formas de controle, como um verdadeiro ajuste fiscal e uma subsequente reforma tributária.
 

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Última atualização: 9 de maio de 2014