Temporadas após temporadas, o turismo em Santa Catarina enfrenta adversidades recorrentes. Nos verões anteriores, a falta de luz e água nas regiões turísticas deixou um marca negativa na imagem do Estado. Embora este ano a falta de água tenha sido minimizada, outros problemas estruturais vieram à tona: a poluição nas praias do Norte da Ilha de Santa Catarina, em Florianópolis. São anos de dejetos sendo jogados em nossas praias sem o tratamento adequado. Por trás disso escancara-se a precariedade de infraestrutura urbana. No caso da poluição nas praias, a falta de saneamento básico.

No Litoral, o problema fica mais evidente no verão por conta da população flutuante que sobrecarrega a estrutura. De acordo com o último relatório de balneabilidade divulgado pela FATMA, a poluição das praias aumentou no litoral catarinense, passando de 71 locais impróprios para banho (janeiro) para 88 (fevereiro). Em Florianópolis, quase metade dos locais analisados está impróprio.

Nosso Estado tem o maior índice de desenvolvimento humano (IDH) do Brasil, a maior expectativa de vida, uma das menores taxas de analfabetismo, a menor taxa de desemprego e de incidência de pobreza. Se por um lado, carregamos indicadores sociais positivos, por outro, somos o 14º estado da federação no percentual de domicílios com rede de esgoto, segundo relatório do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), de 2013. Contrastando com a média nacional de 41,9%, somente 20% dos domicílios apresentam algum tipo de tratamento de esgoto em SC.

Em Florianópolis, 52,8% dos domicílios são atendidos por rede de esgoto. Para as mesorregiões, o destaque negativo fica por conta do Oeste Catarinense, com apenas 10% dos domicílios cobertos, enquanto que a Grande Florianópolis ocupa a primeira posição com 38,2%, seguido pela Serrana, com 29,5%; Sul Catarinense, 28,6%; Vale do Itajaí, 12,2% e Norte Catarinense, 11,5%. Portanto, estamos diante de um problema alarmante e que demanda solução urgente.

O saneamento básico além de garantir a balneabilidade de nossas praias e fomentar o turismo – atividade que responde por parcela considerável da economia do Estado – deve trazer melhores condições de vida para a população. Nossos atributos naturais que tanto atraem visitantes não podem continuar sendo contaminados, prejudicando moradores e turistas.

Um Estado com os melhores indicadores sociais do Brasil não pode continuar apresentando números tão negativos quando se trata de saneamento básico. Resolver essa questão de infraestrutura urbana é imperativo para um desenvolvimento econômico sustentável de Santa Catarina.


Presidente da Fecomércio SC, Bruno Breithaupt
Artigo originalmente publicado no jornal Notícias do Dia em 16 de fevereiro
Categorias: Artigos
Última atualização: 16 de fevereiro de 2016