Turismo de inverno na Serra Catarinense cresce e registra alta de 4% nos gastos em 2026, aponta Fecomércio
A temporada de inverno de 2026 na Serra Catarinense registrou crescimento real de 4% nos gastos dos turistas em relação ao ano anterior, reforçando a consolidação do destino como um dos principais polos de turismo de inverno do Brasil. O avanço foi impulsionado principalmente pelas despesas com comércio local e aquisição de pacotes turísticos, refletindo um público com maior poder de consumo e maior diversificação de experiências durante a viagem.
Os dados fazem parte da Pesquisa Turismo de Inverno na Serra Catarinense, elaborada pela Fecomércio SC e apresentada durante reunião da Câmara Empresarial de Turismo da entidade, realizada em São Joaquim nesta quinta-feira (03). O levantamento traça um panorama detalhado do perfil dos visitantes, dos fluxos regionais e dos impactos econômicos nos setores de comércio e serviços.
Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, os resultados evidenciam uma mudança estrutural no destino. “A Serra Catarinense vem se consolidando como um destino de maior valor agregado, atraindo turistas com maior renda e elevando o nível de consumo. Esse movimento fortalece a economia regional, mas também exige planejamento e qualificação contínua dos serviços”, afirma.
O estudo mostra que o gasto médio por grupo de turistas chegou a R$ 3.852 na temporada, com destaque para hospedagem e alimentação, que concentram a maior parte das despesas. Além disso, 80% dos visitantes realizaram compras no comércio local, reforçando o impacto direto do turismo sobre a economia da região. Os turistas que viajaram de avião apresentaram o maior nível de consumo, com média de R$ 5.995 por grupo, enquanto excursionistas tiveram gasto médio de R$ 664.
Outro ponto relevante é a mudança no perfil do público, com crescimento significativo da participação de turistas de maior renda. Em 2026, 41,5% dos visitantes declararam renda familiar acima de oito salários mínimos, consolidando esse grupo como maioria. Já a faixa acima de 15 salários mínimos praticamente dobrou na última década, indicando uma transformação estrutural no turismo regional. Em contrapartida, as faixas de menor renda seguem em retração contínua, especialmente entre visitantes com até dois salários mínimos.
Para a secretária estadual do Turismo, Catiane Seif, essa consolidação da Serra como destino de alto valor agregado é positiva. “Isso evidencia que estamos indo na direção correta, transformando a Serra Catarinense num destino de excelência”, diz.
A pesquisa também detalha o perfil geográfico dos visitantes: 60,9% são catarinenses, com forte concentração no Vale do Itajaí e na Grande Florianópolis. Entre os turistas de outros estados, predominam visitantes do Paraná e de São Paulo, sobretudo de Curitiba e da capital paulista. A presença de turistas de fora de Santa Catarina segue em expansão gradual, apoiada por investimentos em promoção e infraestrutura, além de iniciativas como o programa Voa+SC e a ampliação da conectividade aérea regional.
Veículo próprio lidera
No que se refere ao deslocamento, o veículo próprio segue como principal meio de acesso, representando 82,6% das viagens. No entanto, o modal aéreo atingiu o maior patamar da série histórica, chegando a 9,5% em 2026, consolidando-se como a segunda principal forma de chegada. O transporte rodoviário fretado também cresceu, enquanto o uso de ônibus regular praticamente desapareceu do fluxo turístico.
Em termos de distância, os turistas que permanecem na região percorrem, em média, 530 km até a Serra, enquanto excursionistas fazem deslocamentos médios de 174 km. Já os visitantes que chegam por avião percorrem mais de 1.800 km, evidenciando o avanço da capacidade de atração nacional do destino.
O estudo aponta ainda mudanças no comportamento de hospedagem. A hotelaria tradicional mantém a liderança, com 53% das estadias, mas os imóveis alugados por temporada cresceram de forma expressiva, alcançando quase 30% do total. O movimento é impulsionado pela consolidação das plataformas digitais e pela integração entre OTAs e serviços de aluguel por temporada, o que reduziu as fronteiras entre os modelos de hospedagem.
Quanto aos canais de reserva, a hotelaria ainda é fortemente dependente de venda direta, enquanto imóveis de temporada são majoritariamente contratados via plataformas digitais. O WhatsApp também aparece como ferramenta relevante na negociação direta, especialmente em hospedagens alternativas.
A distribuição dos visitantes indica concentração em Urubici, São Joaquim e Lages, com destaque para Urubici, que concentra mais da metade das estadias. Além disso, cresce a tendência da chamada “hospedagem-destino”, em que o local de estadia deixa de ser apenas suporte e passa a ser a própria atração turística, com experiências ligadas à natureza, gastronomia e enoturismo.
O enoturismo, inclusive, apresentou avanço relevante na temporada, com 20% dos turistas visitando vinícolas da região, ampliando a diversificação da oferta turística. O turismo de natureza e de lazer seguem como principais motivações de viagem, com destaque para atrativos como o Morro da Igreja, a Serra do Rio do Rastro e a Serra do Corvo Branco.
A vice-presidente de Turismo da Fecomércio SC, Audrey Rembowski, destacou a importância da articulação entre o setor produtivo e o poder público para o fortalecimento do turismo catarinense. “Temos em Santa Catarina um potencial turístico enorme e, para que esse potencial se transforme cada vez mais em desenvolvimento, precisamos avançar em pautas estruturantes, como conectividade aérea, segurança jurídica, questões tributárias e sustentabilidade. A Câmara Empresarial de Turismo é justamente esse espaço de diálogo e construção conjunta, aproximando o setor produtivo do poder público e buscando soluções que fortalecem o turismo em todas as regiões do Estado”, afirma.
Cautela dos empresários
Apesar do desempenho positivo no consumo dos turistas, a percepção dos empresários aponta um cenário mais cauteloso, com queda de 6% no faturamento em relação ao inverno de 2025, ainda que os resultados permaneçam superiores aos períodos de baixa temporada. O dado reforça um descompasso entre o aumento do gasto médio por turista e os desafios operacionais do setor.
De forma geral, o levantamento reforça o papel estratégico do turismo de inverno para a economia da Serra Catarinense, evidenciando tanto o potencial de crescimento quanto a necessidade de ações coordenadas entre setor público e iniciativa privada para garantir a sustentabilidade e a competitividade do destino no longo prazo.



