Intenção de Consumo das Famílias cai pelo oitavo mês consecutivo e atinge pior nível em quase quatro anos em SC
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em Santa Catarina registrou a oitava queda mensal consecutiva em outubro de 2026. O indicador recuou 3,9% em relação a setembro e 10,6% na comparação com outubro do ano passado, alcançando 91,9 pontos. Esse é o menor patamar desde fevereiro de 2023, há três anos e oito meses. O resultado também mantém o indicador abaixo dos 100 pontos pelo terceiro mês consecutivo, limite que separa a satisfação da insatisfação das famílias em relação às condições de consumo e às perspectivas econômicas. Os dados não possuem ajuste sazonal.
Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, o cenário econômico tem imposto dificuldades adicionais aos consumidores em 2026. “Este ano está sendo muito duro para os consumidores, que enfrentam uma série de fatores que comprometem seu poder de compra. Os juros elevados encarecem o crédito e dificultam o acesso a bens e serviços, enquanto o custo de vida continua pressionando o orçamento das famílias. Temos ainda uma inflação acima da meta e um cenário geopolítico bastante conturbado, com diversos conflitos em nível global, que aumentam as incertezas econômicas. Esse conjunto de fatores contribui para um ambiente de maior cautela e insegurança na hora de consumir”, avalia.
A retração de outubro foi disseminada: seis dos sete subindicadores que compõem a pesquisa apresentaram queda em relação ao mês anterior. Apenas a renda atual registrou variação positiva, de 0,5%. As maiores retrações foram observadas no nível de consumo atual (-7,0%), no momento para aquisição de bens duráveis (-6,9%) e no acesso ao crédito (-5,7%).
O bloco de Condições de Consumo permaneceu como o principal fator de pressão sobre o indicador. O nível de consumo atual chegou a 81,7 pontos, com queda de 7,0% no mês e de 16,2% em relação a outubro de 2025. Já o momento para aquisição de bens duráveis recuou para 50,8 pontos, o menor resultado desde setembro de 2022, acumulando perdas de 6,9% no mês e de 25,6% em 12 meses. O acesso ao crédito também apresentou deterioração, atingindo 74,9 pontos, o menor patamar desde agosto de 2022.
Perspectivas também entram em território de insatisfação
Outro destaque da pesquisa é a piora nas expectativas das famílias. Pela primeira vez em 2026, os dois indicadores de perspectivas passaram para o campo de insatisfação. A perspectiva profissional caiu 5,4% em outubro, para 96,2 pontos, acumulando retração de 22,1% em relação ao mesmo mês de 2025. A perspectiva de consumo, por sua vez, recuou 5,5%, chegando a 95,8 pontos e registrando queda também na comparação anual (-5,3%).
Em contrapartida, os indicadores relacionados à percepção sobre o mercado de trabalho e à renda atual demonstraram maior resiliência. O emprego atual ficou em 126,9 pontos, apesar da queda mensal de 1,1%, e permanece 9,4% acima do resultado de outubro do ano passado. A renda atual avançou 0,5% no mês, para 117,1 pontos, e acumula alta de 2,9% em 12 meses.
Famílias de menor renda sentem mais os efeitos da retração
A pesquisa também evidencia o aprofundamento da diferença entre as faixas de renda. Entre as famílias com rendimento de até 10 salários mínimos, a ICF caiu 5,3% em outubro, chegando a 85,9 pontos, o menor nível desde fevereiro de 2023. Já entre aquelas com renda superior a 10 salários mínimos, o indicador permaneceu praticamente estável, com leve recuo de 0,1%, alcançando 112,5 pontos.
A distância entre os dois grupos chegou a 26,6 pontos, a maior desde novembro de 2023. Entre as famílias de menor renda, todos os sete subindicadores apresentaram queda, com destaque para o momento de aquisição de bens duráveis (-9,4%), o nível de consumo atual (-8,5%) e as perspectivas de consumo (-7,7%). Na faixa de maior renda, quatro componentes registraram avanço, incluindo a renda atual (+3,4%) e o emprego atual (+1,8%).
O acesso ao crédito, entretanto, apresentou deterioração semelhante nas duas faixas de renda, com quedas de 5,7% entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos e de 5,5% entre aquelas com rendimento superior. O resultado indica que as restrições ao financiamento afetam consumidores de diferentes níveis de renda.
No cenário nacional, a Intenção de Consumo das Famílias recuou 0,8% em outubro, para 103,6 pontos, embora tenha registrado crescimento de 2,2% na comparação anual.
Veja o Infográfico – Intenção de Consumo das Famílias – Outubro de 2026


