Ao contrário da média nacional, famílias catarinenses estão mais endividadas em abril
Ao contrário dos índices nacionais, que revelaram um recuo no nível de endividamento das famílias brasileiras (62,6%, ante 64,8% em março), aPesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) e a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) do mês de abril revelam aumento no endividamento e no crescimento no consumo das famílias catarinenses.
De acordo com o levantamento da Fecomércio de Santa Catarina e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 86% das famílias catarinenses estão endividadas em abril. Um número um pouco acima do apresentado em março (84%). De acordo com a Fecomércio este aumento deu-se principalmente pelo fato das famílias com renda acima de 10 salários mínimos adquirirem mais dívidas e com isso, comprometerem um montante maior da renda. O cartão de crédito dispara no ranking como o grande vilão das dívidas. Para 46,4% dos respondentes este é o maior compromisso a ser quitado.
Segundo a Fecomércio, este aumento no índice de endividamento pode ter origem nos reajustes que superaram a inflação média entre abril de 2010 e março de 2011, que está em 5,86%, segundo o índice de preços do consumidor da FGV. Mesmo com o aumento das dívidas, as contas em atraso apresentaram uma retração de 8% em relação ao mês de março de 2011, com 23% das famílias inadimplentes em abril, o que demonstra uma maior preocupação do catarinense em quitar seus débitos.
Na comparação anual, o percentual de famílias com dívidas está 24% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Com relação às famílias endividadas, também foi registrado um aumento de 15% no índice. Mas é no índice de famílias que não terão condições de pagar que se registra a queda de 46,15%, a maior redução já registrada com relação ao ano de 2010.
O aumento do custo de vida das famílias catarinenses e o cenário econômico que contribui para o aumento da confiança do consumidor em relação a capacidade de pagar suas dívidas, explica um maior nível de endividamento dessas famílias em relação ao ano passado. Apesar da redução de prazo de pagamento dos empréstimos pessoais e do aumento dos juros não foi observado um quadro negativo para os indicadores de inadimplência. Isto porque, mesmo com a desaceleração econômica, verifica-se um cenário positivo com relação à geração de emprego e consequente aumento dos rendimentos das famílias.
A Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), que visa antecipar o potencial das vendas do comércio, mostrou alta de 2,8% em relação ao mês anterior. Com relação ao mesmo período do ano passado, observa-se uma alta de 11,4%.
O cenário positivo do mercado de trabalho permanece influenciando positivamente tanto o índice de emprego atual como a renda, que apresentaram alta.
Mesmo com medidas de restrição a crédito anunciadas pelo Banco Central no final do ano passado, o acesso ao crédito do catarinense expandiu 2,5% com relação ao mês anterior e 15,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Como constatado em março, o momento continua sendo avaliado como propício para a aquisição de bens duráveis na opinião de 87,6% dos entrevistados. O número é maior (92,7%) para os que ganham mais de 10 salários mínimos. De acordo com a Fecomércio, este quadro positivo reflete diretamente na perspectiva de consumo das famílias para os próximos seis meses, que expandiu 18% em relação ao mês anterior.
SOBRE AS PESQUISAS
A Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias tem como objetivo produzir um indicador inédito com capacidade de medir, com a maior precisão possível, a percepção que as famílias têm sobre seu nível futuro de propensão a consumir em curto e médio prazo. Em outras palavras, um indicador qualitativo e antecedente de vendas do comércio, a partir do ponto de vista das famílias tornando-o uma ferramenta poderosa para o varejo, fabricantes, consultorias, instituições financeiras e até mesmo, para o planejamento público. Trata-se de indicador que pode ser utilizado pelo setor privado no seu planejamento de estoques, política de pessoal, investimentos e gestão de caixa. Para o setor público, um indicador auxiliar ao se estimar receitas do setor.
De igual importância é a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor que gera informações sobre a o grau de comprometimento financeiro do consumidor.


