Fecomércio faz levantamento do perfil da classe C catarinense

Pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio SC) entre os dias 06 e 22 de junho apurou o perfil da classe C no Estado, uma parcela da população que só em Santa Catarina já representa 64%.
A pesquisa foi realizada com 3.626 indivíduos nas principais cidades do estado de Santa Catarina: Florianópolis, Joinville, Blumenau, Criciúma, Lages e Chapecó, escolhidas por representarem, cada uma delas, uma diferente realidade regional.
Para uma melhor fidelidade nos resultados, entre as pessoas enquadradas na classe estudada, foram entrevistadas 41% pertencente à classe C1 (com rendimentos entre R$ 2.990,00 à R$ 4.854,00) e 59% de pessoas da classe C2 (com renda entre R$ 1.126,00 à R$ 2.990,00). Na avaliação da Fecomércio, a pesquisa mostrou como esta nova classe, que surgiu recentemente no cenário brasileiro e catarinense, tem um comportamento bastante típico, com anseios e peculiaridades.
A primeira informação revelada no estudo foi que, apesar da crescente inclusão da mulher no mercado de trabalho, os homens continuam contribuindo com a maior parcela da renda familiar. De acordo com o levantamento, 71% da classe C catarinense têm o homem como sujeito que realiza a maior contribuição para a renda doméstica, e em 23% dos domicílios, as mulheres são a “chefe de família”. Na avaliação da Fecomércio, isso evidencia que, apesar de a mulher ter se incorporado ao mercado de trabalho, na classe C do estado ela ainda não conseguiu igualar-se em termos salariais aos homens.
Outro dado levantado foi o estado civil do chefe da família. A maioria das famílias da classe C catarinense apresenta um perfil bastante tradicional, sendo o chefe da família casado ou em uma união estável na maioria dos casos (71%). Também um número considerável de solteiros é registrado em 16%. Indivíduos estes que em geral possuem um grande potencial econômico, já que utilizam a renda para o consumo individual.
Com relação à escolaridade registrou-se que a maioria da classe C catarinense tem nível escolar médio incompleto ou completo (34%), seguido pelo nível superior incompleto ou completo (31%) e um percentual de 16% com apenas nível fundamental incompleto ou completo.
Ainda com aos chefes de família da classe C, a maioria tem como ocupação empregos com carteira assinada (48%), dado que, na avaliação da Fecomércio, expressa o alto grau de contratações do estado e o elevado índice de formalização do emprego. Além disso, grande parcela dos entrevistados, 58%, não tem acesso a benefícios do governo, o que mostra que para a grande parcela, os rendimentos vindos do trabalho são a única fonte de renda familiar, dado que desconstrói o mito de que a ascensão social da classe C se deu via programas de cunho assistencialista do governo.
A pesquisa também apontou que um número elevado de famílias possui itens relacionados à informatização; 73% têm cartão de crédito bancário, 81% têm conta corrente, 82% computador e 81% acesso à internet. Também um número elevado de famílias possui automóvel (82%) e casa própria (83%). Outros itens também presentes na maioria das famílias foram os cartões de lojas ou supermercados (59%), os planos de saúde (50%) e as contas poupança (53%). Dado interessante é o de que apenas 12% das famílias afirmaram ter empregada doméstica ou diarista, percentual bastante reduzido.
O principal gasto da classe C no estado continua sendo com o supermercado e a alimentação, esse fato mostra o grande peso que a própria reprodução das condições de vida tem no orçamento das famílias.
Na avaliação da Fecomércio, apesar da classe C já ter impulsionado as vendas dos últimos anos, ainda tem um grande potencial de consumo, principalmente na aquisição de bens duráveis. Paralelo a esta conclusão, verificou-se no levantamento que o potencial de poupança da classe C é baixo, sendo inferior a poupança média do Brasil, ou seja, grande parte da renda é destinada ao consumo, principalmente por intermédio do crédito ao consumidor. Segundo a Fecomércio informações como essas podem ser exploradas tanto pelos empresários como pelos órgãos formuladores de políticas públicas, seja para traçar estratégias de vendas, seja para montar políticas de inclusão social.
No entanto, verificou-se que este consumo baseado no crédito, não é descontrolado, sendo que as famílias demonstraram ter um bom controle financeiro, o que é importante para evitar a inadimplência.
Outro fato importante apontado na pesquisa foi o potencial das vendas via internet para a classe C, que apesar de ainda não ser de grande expressão, é promissor, tendo em vista o alto grau de informatização da classe.
Com relação ao meio ambiente, os entrevistados demonstraram compreender a importância da preservação, porém, não abrem mão dos preços baixos para atingir este objetivo.

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Última atualização: 30 de agosto de 2011