Apesar de consumo e dívidas em alta, inadimplência cai em SC

O aumento do salário mínimo (14%) teve impacto direto na Intenção de Consumo das Famílias catarinenses em fevereiro. O índice cresceu expressivos 10,8% na comparação anual, apresentando alta de 1,2% em relação a janeiro e se estabelecendo no elevado patamar de 149,8 pontos.

Dentre os indicadores que compõem a ICF, quatro tiveram alta na comparação mensal: ‘Emprego atual’ (1,6%). ‘Perspectiva profissional’ (8,8%). ‘Acesso ao crédito’ (3,2%). E ‘nível de consumo atual’ (1%). Apenas três indicadores tiveram queda mensal. ‘Renda atual’ variou -0,3%. ‘Perspectiva de consumo’ caiu -2%. E ‘momento para duráveis’ registrou diferença de -1,1%. Apesar da movimentação negativa, na variação anual os indicadores se mantiveram positivos.

Na avaliação da Fecomércio, com o resultado favorável deste início de ano, a tendência é de que 2012 apresente novamente ao setor comercial crescimento superior ao restante da economia. No entanto, o cenário deve se acentuar a partir do segundo semestre deste ano, quando o crédito ao consumidor sofrerá nova flexibilização.

Mais dívidas e menos atrasos

No quesito endividamento a previsão de aumento no consumo se concretizou. O percentual de famílias catarinenses com algum tipo de dívida teve alta de 2,3% em fevereiro, chegando aos 88%.

Declararam-se muito endividadas, 52,6% das famílias com renda maior do que 10 salários mínimos, enquanto as famílias com rendimento inferior representaram 40,6%. Cartão de crédito (44,1%), financiamento de carros (24%), carnês (12,1%) e financiamentos de imóveis (9,9%) são as razões das compras a prazo dos catarinenses. Com tempo médio de dívidas de 5,9 meses, as famílias comprometem em média 26,3% de sua renda para o pagamento das parcelas das dívidas. Destaque para as famílias com renda menor a 10 salários mínimos, que reservam 26,9% para as contas adquiridas, contra os 23,6% declarados para os de renda maior.

Na contramão do aumento das dívidas, a inadimplência caiu em Santa Catarina no mês de fevereiro, tanto na comparação mensal (-1,4%) quanto na anual (-1,3%), chegando aos 20,3%. Também é positivo o tempo médio das dívidas atrasadas, que não teve variação. Ficando nos mesmos 67 dias já registrados em janeiro. Ainda assim, 45,8%, disseram que não terão como pagar suas contas atrasadas. E 9,3% declarou não ter condições de pagar suas dívidas futuras.

Para a Fecomércio, o aumento mensal do endividamento tem relação com as liquidações de início de ano, que estimularam o consumidor com preços e prazos atrativos. Enquanto a expansão anual de 4% do endividamento pode ser explicada pelo aumento do emprego e da renda em 2011.

Também a liberação do acesso ao crédito ao consumidor e as recorrentes quedas na taxa básica de juros, formaram uma nova política monetária expansiva adotada pelo Banco Central, o que deve garantir um novo ciclo de expansão do endividamento nos próximos meses.

Para a Federação, apesar da parcela elevada de famílias endividadas, a qualidade das dívidas é bastante segura em Santa Catarina. Explicam isso a tendência de expansão do emprego e da renda e a verificação de que a parcela necessária ao comprometimento da renda familiar para o pagamento das dívidas é pequena (26,3%).

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Última atualização: 29 de fevereiro de 2012