Trabalho e produtividade em debate na Fecomércio SC
A Fecomércio SC recebeu na última sexta-feira (5) a palestra “Trabalho e Produtividade no Comércio e Serviços”. O tema foi tratado pelo sociólogo, consultor, especialista e professor da USP na área econômica e de relações do trabalho, José Pastore. A atividade fez parte do encontro periódico da Câmara Empresarial de Assuntos Trabalhistas, presidida pelo vice-presidente da Fecomércio SC, o empresário Célio Spagnoli.
Com a presença do diretor executivo, Marcos Arzua e de representantes do Sistema Fecomércio e sindicatos catarinenses no auditório da entidade, em Florianópolis, Pastore apresentou material de estudo que teve a participação do economista da entidade, Maurício Mulinari, com a contribuição de indicadores recentes e fontes de pesquisa.
Arzua lembrou que a oportunidade “possibilita aos sindicatos o aprimoramento de suas negociações salariais, com base no entendimento do cenário econômico atual do país”. Enquanto Spagnoli reiterou “a importância da palestra em um momento de turbulência nas negociações coletivas”, fazendo referência às próximas negociações coletivas a serem realizadas em novembro.
Trabalho e Produtividade no Comércio e Serviços
Para o palestrante José Pastore, a análise da conjuntura econômica brasileira permite análises que, do ponto de vista empresarial são pouco favoráveis. No ramo das contratações, o mercado de trabalho vem enfrentando sérios problemas com a escassez e encarecimento da mão-de-obra.
Os bons índices do emprego no Brasil, que criou 1 milhão e 400 mil novas vagas até o momento em 2012, aliado aos altos custos de emprego e renda, e ainda ao valor necessário à manutenção das empresas com o pagamento de impostos e outras legalidades, trouxe além da falta de profissionais, uma situação financeira insustentável, tendo em vista que o fator produtividade não evoluiu do mesmo modo.
Nas palavras do especialista, “é saudável para a economia que haja aumento salarial e alta na produtividade. No entanto, pode haver problemas quando um índice não acompanha o outro. E no Brasil, nos últimos 40 anos, não houve aumento da produtividade na indústria, enquanto no comércio e serviços o desempenho foi fraco”, explicou.
De acordo com Pastore, os resultados desse descompasso são as pressões que vêm da disparada do custo unitário do trabalho e a queda na lucratividade das empresas. “Com as alternativas encontradas de repasse no preço de venda e redução da margem de lucro, as empresas comprometem suas contratações e novos investimentos, o que gera reflexos na balança comercial do país, já que a economia nacional passa a se desenvolver em menor ritmo ou à estagnação, exportando em menor quantidade e importando cada vez mais”, concluiu.
Contudo, Pastore considera positivas as medidas tomadas pelo governo federal de desoneração da folha salarial. Até o momento 40 setores da economia contam com a redução de 20% do INSS, além de outras isenções. Segundo o especialista, o varejo deve ser o próximo setor a receber o benefício, já que é um setor intensivo em mão-de-obra.


