Medidas cambiais tomadas pela presidente da Argentina devem afetar turismo catarinense no verão 2013, analisa Fecomércio
As recentes medidas de controle do câmbio que o governo da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, vem tomando desde o fim de outubro de 2011 devem reforçar a tendência que surgiu após a crise de 2001 no turismo do litoral catarinense neste ano.
“Se durante esse período o número de turistas argentinos perdeu força, o setor continuou a crescer de maneira forte em virtude da expansão do mercado interno”, analisou o economista da Fecomércio SC, Maurício Mulinari, na 12ª Reunião da Câmara Empresarial de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Santa Catarina (Fecomércio-SC), nesta terça-feira (16), no Sesc Cacupé.
Ele explicou que os controles do mercado de câmbio condicionam a compra e a venda de dólares à comprovação do destino, data e motivo da viagem. Recentemente as medidas chegaram aos cartões de crédito: a Afip (Administração Federal de Rendas Públicas) fiscalizará a remessa que a operadora tem de fazer para pagar os consumos feitos fora do país.
O aperto cambial afeta menos as classes mais altas, com maior facilidade de comprovar reservas em moeda doméstica. Isso porque, ao viajarem para o Brasil, só poderão retirar reais de suas contas em pesos se tiverem uma caderneta de poupança em dólares na Argentina. Como apenas 30% dos argentinos tem conta bancária, por conta da crise de 2001, a dificuldade de adquirir moeda estrangeira é muito elevada.
João Eduardo Amaral Moritz, presidente da Câmara Empresarial de Turismo, comentou que as agências de turismo argentinas continuam vendendo pacotes para Santa Catarina (com passagens aéreas, transfer e passeios inclusos), assumindo os serviços de câmbio e comprovação. Essa, porém, é uma forma mais cara de viajar para o nosso país. “O turista que mais está sofrendo é aquele que vem de automóvel e ônibus”, conclui.
Esse cenário deve influenciar o perfil do turista de duas formas:
a) Chegarão ao litoral catarinense os argentinos de maior poder aquisitivo, seguindo a tendência que se desenhou após a crise 2001. Isso porque, além de terem mais facilidades de lidar com as novas medidas, as restrições a viagens para a Europa e os EUA são ainda maiores e, por isso, as classes mais altas podem optar por vir para o Brasil;
b) Em paralelo, o turismo das classes mais baixas e menor poder de compra (que chegam de carro e ônibus) continuará diminuindo.
“As medidas repercutem não apenas no movimento de turistas, mas também nos gastos artificialmente restringidos pelo governo argentino”, completou Mulinari.
Demanda interna só aumenta
Do total de turistas do litoral catarinense, somente 10% são internacionais, segundo dados levantados pela Fecomércio SC. “O carro-chefe do turismo catarinense continua sendo o turismo interno, tendência que deve se acentuar nos próximos anos”, apontou o economista. A expectativa é de que tanto o movimento quanto o faturamento continue crescendo na temporada de verão em 2012/2013.
Movimento estimado de turistas em Santa Catarina (janeiro, fevereiro e março de 2012)
| Total de turistas nacionais | 5.584.644 |
| Total de turistas internacionais | 611.817 |
| Gastos dos nacionais | R$ 3.402 milhões |
| Gastos dos internacionais | R$ 651 milhões |
| Gasto médio por turista nacional | R$ 609 |
| Gasto médio por turista internacional | R$ 1.064 |
Fonte: Santur
Isso ocorreu devido ao crescimento da renda doméstica desde a última temporada de verão (4,5%). A classe média, que representava apenas 38,8% dos brasileiros (67 milhões de pessoas) em 2002, totalizava 51,9% em 2010 (quase 100 milhões de pessoas).
Da mesma maneira, as concessões de crédito continuaram em expansão (18%) e com taxas de juros menores: a taxa média de juros ao consumidor do Brasil saiu de 45% ao ano no início de 2012 para 36% ao ano recentemente.
Entre outros fatores que influenciaram esse cenário estão:
a) a taxa de câmbio brasileira (dólar/real) na última temporada de verão estava em um patamar médio de R$ 1,80, enquanto que neste ano está em R$ 2,03, o que estimula o turismo interno.
b) Com a satisfação do consumo de bens duráveis, a tendência é do brasileiro da classe média gastar cada vez mais com o turismo.


