Redes catarinenses de supermercados divulgam projetos de reciclagem no II Fórum do Lixo
A Câmara Empresarial de Supermercados da Fecomércio-SC e a Associação Catarinense de Supermercados (Acats) realizaram, nesta segunda-feira (22), o II Fórum Internacional Varejo Lixo Zero, que ampliou o debate iniciado em março deste ano sobre as consequências da Política Nacional de Resíduos Sólidos para o varejo. O foco deste ano, porém, esteve em estudos de caso de empresas que já começaram a implantar o programa Lixo Zero, que tem como principal objetivo o máximo reaproveitamento de resíduos e a redução do encaminhamento do lixo para os aterros sanitários.
“O público foi maior do que no evento passado. Já temos dois exemplos bons em Santa Catarina, que é o Angeloni e o Hippo. E a perspectiva é alertar e fazer com que mais empresas repitam essa iniciativa”, disse o presidente da Câmara Empresarial de Supermercados da Fecomércio-SC, Adriano Manoel Santos, que criou o Comitê Estadual de Lixo Zero através da Associação Catarinense de Supermercados (Acats).
O gerente regional do Supermercado Angeloni, Gilberto Nascimento, apresentou os resultados do projeto piloto implantado na loja de Capoeiras, no posto Beira Mar e na farmácia Rio Branco. Com o gerenciamento de resíduos, a rede de supermercados conseguiu reduzir 10% dos custos operacionais de cada unidade. “Quebramos o paradigma de que gerenciar resíduos é mais caro que apenas descartar”, declarou o executivo. Segundo ele, assim que conseguirem tratar 90% do material a ser descartado, será possível reduzir os custos operacionais em 20%.
Tatiane Pereira, gerente de marketing do Hippo, revelou que a rede já consegue reciclar 90% dos resíduos produzidos e mostrou as vantagens de uma ação para reduzir o consumo de sacolinhas plásticas, a “Hippo sem sacola”. “Com a implantação do programa, o custo com sacolas caiu em R$ 5 mil por mês em cada loja”.
O programa Lixo Zero também dá resultado e é viável em empresas menores, como a padaria Big Pan, de 30 funcionários. Samuel Pereira, sócio-proprietário da empresa, em São José, contou que implantou o programa Lixo Zero na empresa.
Paralelamente, tomou medidas para reduzir a produção de resíduos, substituindo copos, pratos e talheres descartáveis por louças. Isso porque, depois de um estudo que foi feito na empresa, percebeu-se que 80% do lixo produzido vinham da loja. “Compramos uma lavadora de louça, que se pagou em 10 meses. No entanto, continuamos economizando entre R$ 750 e R$ 1000 por mês com material descartável”.
Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, oficializada pela Lei 12.305 de agosto de 2010, as empresas supermercadistas têm até 2020 para adotarem medidas que as permitam destinar corretamente de 100% de seus resíduos.
Participação internacional
A segunda edição do evento contou novamente com a participação da norte-americana Leslie Lukacs, presidente da L2 Environmental. Ela apresentou os resultados da implantação de um projeto de Lixo Zero na Fisherman’s Wharf, uma rede de hotéis, restaurantes e processadora de alimentos.
Dentre os restaurantes da rede, Lukacs destacou o Scoma’s, um dos mais famosos da cidade de São Francisco, que consegue reciclar ou enviar para compostagem 96% dos resíduos que produz, ou seja, somente 4% dos detritos do restaurante vão para o aterro sanitário.


