Autossustentação sindical se dá pelo aumento da oferta de produtos e serviços
O gerente de Planejamento da Fecomércio SC, Renato Barcellos, afirmou durante a 8ª Reunião de Vice-Presidência da região Sul, na tarde desta quinta-feira, dia 3, na sede do Sindilojas de Criciúma, que o modelo de sustentação sindical baseado apenas na contribuição está enfraquecido, principalmente por causa da isenção dada às empresas do Simples Nacional. Segundo ele, a mudança de paradigma em direção à autossustentação dos sindicatos se dá pela oferta de produtos e serviços às empresas, como a Central do Comércio, lançada pela federação há duas semanas.
A reunião foi conduzida pelo vice-presidente da Fecomércio na Região Sul, Laureci Volpato, e pelo presidente do Sindilojas de Criciúma, Renato Campos Carvalho. Estiveram presentes representantes dos seguintes sindicatos: Sirecom Sul, Sindilojas de Criciúma, Sindilojas de Tubarão, Sindilojas de Araranguá, Sincofaresc Criciúma, Sincaval de Laguna e Sindifarma Tubarão.
Renato Barcellos detalhou o funcionamento e as vantagens da Central do Comércio (www.centraldocomercio-sc.com.br), o portal de benefícios e negócios para os empresários do setor e que serve, também, como uma entrada para as empresas que ainda não possuem a sua página na internet, além de ser uma ferramenta de busca de mão de obra qualificada.
"O empresário terá uma contrapartida do sindicato, algo palpável para que ele se sinta bem atendido e contribua. O guia de empresas é gratuito, não está vinculado ao pagamento da contribuição sindical, mas é uma maneira de atrair essas empresas", afirmou Barcellos, que também destacou o Programa de Melhoria de Gestão, em parceria com o MCE – Movimento Catarinense para Excelência, uma associação civil criada com o objetivo de estimular a competitividade das empresas catarinenses.
Contribuição Sindical
O gerente Sindical da Fecomércio, Rafael Arruda, apresentou os números dos resultados da contribuição sindical de 2014. Em todo o Estado, o aumento de arrecadação foi de 8,4%, até o dia 25 de março. "Contribuição sindical é algo que precisa ser trabalhado o ano inteiro, e não só em janeiro. Identificamos um crescimento do número de empresas isentas que estão pagando a contribuição. Isso é um indicativo de que elas percebem a efetiva atuação dos sindicatos na defesa dos seus interesses", disse Arruda, elogiando o bom desempenho verificado pelos sindicatos da Região Sul, cuja arrecadação teve um crescimento de 17,81%. O Sincofarma de Tubarão, o Sincofaresc de Criciúma e o Sindilojas de Araranguá foram os que mais arrecadaram em 2014.
Segundo Arruda, para aumentar ainda mais a arrecadação em 2015, a Fecomércio adquiriu uma nova base de dados e está fazendo a limpeza das informações, identificando as novas empresas e repassando os dados aos sindicato. Arruda pediu que os sindicatos ajudassem a federação na limpeza desses dados, num trabalho conjunto para melhorar essas informações e, consequentemente, aumentar a arrecadação. A Fecomércio SC também fará um trabalho junto à Superintendência Regional do Trabalho para que se faça a notificação aos inadimplentes.
Senac Varejo
O diretor-adjunto do Senac Santa Catarina, Luciano Caminha, agradeceu o espaço na pauta da reunião de VP para colocar aos presidentes e representantes dos sindicatos e empresários da Região Sul um pouco do que a entidade coloca à disposição do varejo em Santa Catarina. Segundo ele, o programa Senac Varejo desenvolve ações em cada uma das cidades que contam com unidades do Senac.
"Ao final do programa, temos a oportunidade de levar os participantes a uma missão internacional a Nova York. A National Retail Federation é um evento que acontece há mais de 100 anos, e na missão buscamos nos apropriar desses conhecimentos e levar os participantes em visitas guiadas às principais lojas do varejo de Nova York", disse.
Alexandre Meneghetti, diretor do Senac Criciúma, explicou que o programa é realizado na Faculdade do Senac da cidade e pediu aos empresários e dirigentes sindicais que indicassem pessoas interessadas em participar da missão. Orientador e membro da missão técnica internacional a Nova York, Vinícius Cadore Furlanetto fez um relato das tendências do varejo mundial apresentadas no Big Retail Show, principal feira mundial do setor realizada em janeiro deste ano e que acontece dentro da programação da NRF.
Segundo Furlanetto, a tendência é o varejo se tornar, em pouco tempo, no grande transformador da economia do país, na medida em que as compras por meio de dispositivos móveis (tablets, smartphones) se popularizarem. Para isso, destaca o professor, é preciso que a comunicação entre loja e cliente seja cada vez mais particularizada, com informação, convergência de dados, fidelização e união entre loja física e loja virtual.
Padronização da Marca
A gerente de Comunicação da Fecomércio, Manoela de Borba, falou sobre a padronização da marca da Fecomércio e dos sindicatos afiliados e da sua correta aplicação em diferentes dispositivos e materiais, através do manual da marca e assessoria técnica. "A padronização da marca é uma iniciativa da CNC e de algumas federações, entre elas a de Santa Catarina, e que depois foi estendida aos sindicatos", explicou.
Manoela também apresentou, também, o projeto da revista digital da federação, a InfoComércio, em fase de elaboração, e da consultoria que está sendo feita para ampliar o alcance das ações da federação nas redes sociais, com diferenciação de conteúdos e adaptação da liguagem de acordo com a natureza dos canais.
Panorama Econômico
O assessor econômico da Fecomércio SC, Maurício Mulinari, falou sobre o panorama da economia internacional e fez projeções sobre para onde caminha a economia brasileira. Segundo ele, o modelo que vigorou nos últimos 10 anos, de crescimento baseado no mercado interno, já demonstra uma exaustão. O dólar está se valorizando no mercado internacional e, consequentemente, há menor investimento estrangeiro no país. Há uma desaceleração da economia dos principais parceiros, como a China e os países da América do Sul, o que faz com que a balança comercial do Brasil apresente resultados cada vez menores. O cenário externo brasileiro hoje é pior do que 2011.
No cenário interno, o baixo crescimento da economia brasileira reforça a necessidade de mudanças na matriz econômica. "O crescimento da economia oscila bastante. Somos reféns da safra agrícola. Com os baixos índices de desemprego, há uma forte carência de mão de obra. Os salários reais cresceram, sem ganho de produtividade. Há um descompasso entre os ganhos salariais e os ganhos de produtividade. Com isso, a criação de novas vagas está estagnada. Isso se reflete nas vendas do comércio catarinense, que apresentaram uma desaceleração. O varejo catarinense crescia 8% ao ano até metade de 2012, hoje está em 2,8%", disse Mulinari.
Assessoria Legislativa
O projeto de criação da Rede Estadual de Assessoria Legislativa foi detalhado pelo assessor de Relações Institucionais da Fecomércio, Elder Arceno, juntamente com o diretor da Integra Inteligência Política, Edgard Usuy, que falaram sobre como é feito o acompanhamento das matérias relacionadas ao setor na Alesc e no Congresso Nacional, e como esse trabalho pode ser feito junto às câmaras de vereadores dos principais municípios catarinenses. Arceno também apresentou a Agenda Política e Legislativa da Fecomércio para 2014, recém-lançada pelo presidente da entidade, Bruno Breithaupt, no plenário da Alesc.
O deputado estadual José Milton Scheffer (PP) participou da parte final da reunião e disse estar satisfeito com a oportunidade de interagir com um setor tão importante para a economia catarinense. "A integração da classe política com a classe empresarial é fundamental. Tenho visto na Assembleia, por intermédio da assessoria parlamentar da Fecomércio, que está sempre presente, a importância de se ter a relação direta com o setor empresarial. A Fecomércio tem feito este trabalho. E a Agenda Politica é um importante instrumento de orientação para os parlamentares. Quando um projeto entra em determinada comissão, de economia, da qual sou presidente, aquele parecer da Fecomércio contribui para a sua discussão e faz com que o projeto seja aprovado ou até rediscutido e rejeitado. A Agenda Legislativa qualifica o nosso trabalho e nos dá embasamento para a discussão. Entendo a importância desta proximidade", afirmou Scheffer.


