Banco Central prevê contribuição positiva na expansão do PIB
O Banco Central prevê que neste ano o setor externo irá dar uma contribuição positiva na expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pela primeira vez desde 2005. A informação expressa a confiança da autoridade monetária de que já está em curso uma mudança – para melhor – na composição do crescimento da economia.
A projeção oficial é que a chamada absorção externa (equivale à exportação de bens e serviços menos as importações) vai dar uma contribuição positiva de 0,2 pontos percentual para o crescimento do PIB deste ano. A absorção interna (formada por consumo das famílias, investimentos e gastos do governo) dará uma contribuição de 1,4%. No total, o crescimento do PIB esperado para 2014 é de 1,6%.
Ajuda modesta
Ainda é uma ajuda modesta do setor externo a um PIB igualmente modesto. E sujeita a não se confirmar, já que a taxa de câmbio caminha para baixo. Mas, se ocorrer, representará uma virada importante em relação a 2013, quando o setor externo roubou cerca de um ponto percentual do PIB, que ficou em 2,5%.
A projeção do BC para a evolução do PIB em 2014 contempla alta de apenas 0,7% nas importações, abaixo do crescimento projetado para as exportações, de 2,5%. Não dá para descartar que a queda das importações esteja refletindo também a taxa de câmbio, e não só a atividade econômica. Um estudo publicado pelo BC, no relatório de inflação de setembro de 2013, conclui que os efeitos de uma depreciação cambial na balança comercial ocorrem, em um primeiro momento, nas importações. O trabalho mostra também que as exportações de manufaturados respondem, sim, ao câmbio.
Um fator essencial para as exportações é o crescimento da economia mundial, que, na visão do Banco Central, ainda é relativamente fraco, mas apresenta melhora. As projeções de analistas privados para a expansão do PIB mundial são de 2,7% em 2014, ante 2,1% em 2013. No caso dos Estados Unidos, haveria uma leve aceleração no período, de 1,9% para 2,2%; e, na área do euro, passaria de contração de 0,4% para crescimento de 1,1%.
Importações em queda
A queda das importações de bens de capital preocupa. A aposta do Banco Central é que a mudança da composição do crescimento da demanda ora em curso vai envolver não apenas um aumento da absorção externa, mas também uma moderação do consumo das famílias e do governo em favor dos investimentos. "Será o consumo andando e o investimento correndo", disse Carlos Hamilton, ao divulgar o Relatório de Inflação. O consumo das famílias já se desacelerou, mas o do governo, não. Os investimentos devem apresentar uma contração de 0,6% em 2014. Ainda assim, a aposta do BC é que essas peças vão caminhar na direção correta. "Essa não é uma economia planejada, em que uma só decisão move tudo", afirma Carlos Hamilton.
O risco maior é a promessa de ajuste externo se perder, caso se mantenha a pressão para valorização da taxa de câmbio. Os altos juros vigentes dentro do país, assim como as condições ainda excepcionais de liquidez internacionais, estão por trás da recente valorização do real. Mas o mercado financeiro vê indícios de que o Banco Central e outros setores do governo vêm deliberadamente forçando a valorização do real para ajudar no combate à inflação. Em junho, o Banco Central decidiu prorrogar o seu programa de oferta de instrumentos cambiais ao mercado. O anuncio da decisão, sem especificar os detalhes, foi feito de forma antecipada, num dia em que o câmbio já derretia.
A valorização do real ajuda a segurar o câmbio no curto prazo, mas a percepção de que ela é feita de forma artificial, e portanto que tende a se reverter, não evita estragos nas expectativas. As projeções de inflação de mercado levam em conta que a taxa de câmbio vai fechar em R$ 2,29 em 2014 e em R$ 2,45 em 2015.
Fonte: Alex Ribeiro, Valor Econômico


