Dezembro: cai endividamento e inadimplência permanece estável em SC

O endividamento caiu em Santa Catarina. O índice que atualmente é de 88%, vem apresentando queda nos últimos meses. Em setembro o percentual de famílias endividadas era de 92%. Em novembro chegou aos 89%. E em dezembro teve queda de 1%. No entanto, na comparação anual o crescimento do endividamento é considerável, de 24%.

Atribui-se a essa tendência mensal de queda, o efeito das medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central no início deste ano que, visando desaquecer o consumo brasileiro atuaram encarecendo o crédito, refletindo no endividamento das famílias.

Vale ressaltar que se o endividamento tem um sentido pejorativo em seu significado popular, ele difere da linguagem econômica, que o caracteriza ao fato de o consumidor estar fazendo compras a prazo, adquirindo produtos e serviços através de pagamentos parcelados.

Na avaliação da Fecomércio, a retração no endividamento embora pareça positiva, pode gerar uma situação bastante desfavorável para as economias brasileira e catarinense. Já que o consumo das camadas médias da população está fortemente ligado ao crédito, dificultar sua concessão – proposta do Banco Central; pode trazer além da queda nos índice de endividamento, uma desaceleração da movimentação e das vendas no varejo.

Prova de que essas medidas podem afetar negativamente a economia é o PIB brasileiro no terceiro trimestre, que demonstrou queda de 0,1% no consumo das famílias. Além dos dados revelados pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que apontam de agosto a outubro, variação nula nas vendas do varejo catarinense.

Pensando neste sentido, o Banco Central revisou suas medidas macroprudenciais no início deste mês, flexibilizando novamente a oferta de crédito, na expectativa de reaquecer as vendas do varejo a partir do segundo semestre de 2012.

Análise do endividamento

Observando a renda das famílias, percebe-se que o índice de endividamento é maior dentre aqueles que recebem mais de 10 salários mínimos. Neste caso, estão endividadas 95% das famílias. Já nos lares com renda abaixo dos 10 salários mínimos, o percentual de dívidas é de 87%.

Já em relação ao nível de endividamento das famílias, houve estabilidade de novembro a dezembro. Dos consumidores entrevistados, se disseram bastante endividados 43,8%. Outros 35,9% afirmaram estar razoavelmente endividados. Enquanto os pouco endividados somaram 8,7%. Na comparação com dezembro de 2010 cresceu o número de muito endividados e caiu o percentual dos pouco endividados.

Dentre os meios utilizados para fazer novas dívidas mais uma vez destaca-se o cartão de crédito. Em dezembro, ele foi responsável por 53,1% das dívidas das famílias catarinenses. Na sequência aparecem o financiamento de carros (23,1%), os carnês (9,2%) e os financiamentos residenciais (7,2%).

Quanto ao tempo de duração das dívidas, a média de dezembro é de 5,7 meses. Patamar menor que o de novembro (5,9 meses). No entanto, a maioria das famílias (54,4%) tem dívidas de até três meses. Chama atenção também que 33,2% têm dívidas longas, de mais de um ano. Outros 4,4% farão pagamentos fixos entre três e seis meses e 6,6% entre seis meses e um ano.

Outro fator analisado é a parcela do orçamento familiar comprometido com o pagamento das dívidas. Em média, os catarinenses têm 27,8% de sua renda dedicada à quitação das compras a prazo. O índice é superior ao de novembro (26,8%) e pode ser considerado bastante seguro.

Ainda neste sentido, cresceu também o número de famílias que afirmou não ter condições de pagar suas dívidas ainda não vencidas. Eram 7% em novembro e neste mês são 8%. O que leva a crer que na próxima Pesquisa de Endividamento e Inadimplência pode haver leve aumento dos consumidores com contas em atraso.

Inadimplência

O número de famílias que têm contas em atraso permaneceu igual ao mês de novembro. 21% é o número de inadimplentes em Santa Catarina. Apesar disso, na comparação anual houve crescimento. Em dezembro do ano passado eram 16% as famílias com contas em atraso no estado.

São as mais inadimplentes as famílias com renda inferior a 10 salários mínimos (24%). Enquanto nas famílias de maior renda apenas 9% estão com as contas em atraso.

Quanto à quitação dos atrasados 32,4% das famílias em Santa Catarina garantiram ter condições de pagar totalmente suas contas em atraso; 28,7% disseram que pagarão parte delas; enquanto 38,9% afirmaram que não terão condições de fazer qualquer pagamento. A situação é pior em comparação a novembro, quando não tinham condições de quitar suas dívidas atrasadas 30,9% dos entrevistados – diferença considerável de 8%.

O tempo de atraso das dívidas dos catarinenses também apresentou piora em relação ao mês anterior. Em novembro o tempo médio de atraso era de 53,9 dias. Em dezembro este índice foi de 61,5 dias.

Na avaliação da Fecomércio, as piores condições de acesso ao crédito impossibilitaram em parte as compras a prazo e a aquisição de novas dívidas em Santa Catarina, refletindo no nível de consumo das famílias, que permanece sem crescimento desde agosto. Esta redução do endividamento, aliado à boa qualidade das dívidas já existentes, permite que o aumento do endividamento que provavelmente ocorrerá no próximo mês – devido, principalmente, às compras de Natal – não comprometa a saúde financeira das famílias.

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Última atualização: 21 de dezembro de 2011