Endividamento e inadimplência das famílias catarinenses diminuem
O percentual de famílias catarinenses endividadas diminuiu tanto na comparação mensal quanto anual, segundo a Pesquisa de Inadimplência do Consumidor (PEIC) de junho, realizada pela CNC e Fecomércio. Na mesma época em 2011, esta parcela era de 91%, e em maio foi de 88,2% – neste mês o percentual ficou em 86,9%. O número de famílias inadimplentes também caiu nas duas comparações, estabelecendo-se na casa dos 20,2%.
A Fecomércio acredita que este fenômeno é causado pelo aumento da renda das famílias e por melhores condições de pagamento da economia brasileira (menores taxas de juros e maiores prazos de pagamento), mesmo em um contexto de aumento nas vendas baseadas no crédito.
Com esta importante expansão segura das vendas, é provável que o cenário de reativação mais forte da atividade econômica a partir do segundo semestre seja realmente alcançado, o que está de acordo com as expectativas dos empresários para este ano.
Análise do endividamento
De maio para junho, a parcela de famílias endividadas no estado reduziu em 1,3%, enquanto na comparação anual a redução foi de 4,1%. Esta diminuição mostra que as famílias estão quitando seus compromissos financeiros, fato que viabiliza a expansão de crédito prevista para o segundo semestre.
A comparação por faixa de renda mostrou um quadro equilibrado entre as famílias com renda superior e inferior a 10 salários mínimos. Aquelas com maior renda possuem um percentual de 86,8% de endividamento, enquanto as de menor renda apresentaram 86,9%.
Em relação ao nível de endividamento, a comparação mensal mostrou um pequeno crescimento nas famílias muito endividadas (de 43,5% para 44,9%), embora anualmente este percentual apresentasse redução de 8,3%. Também cresceu o número de famílias pouco endividadas, chegando aos 10,1%. Este quadro significa uma melhor condição nas dívidas do estado.
Na análise dos tipos de dívidas, notou-se em junho um expressivo crescimento do uso do cartão de crédito, que se consolidou como principal forma de endividamento das famílias de Santa Catarina, responsável por uma fatia de 59,1%. Em segundo lugar está o financiamento de carros (20,1%), seguido pelos carnês (8,8%) e o financiamento de casas (5,5%).
O mês de junho apresentou melhora no tempo médio de comprometimento com as dívidas em relação a maio: de 5,6 meses, caiu para 5,1 meses. A maioria das famílias do estado está comprometida em menos de 3 meses (60,2%). Em segundo lugar estão aquelas que levarão mais de 1 ano para serem quitadas (27,8%). Completa o quadro os 6,1% que estão comprometidos entre 6 meses e 1 ano e os 5,9% entre 3 meses e 6 meses.
Completando a análise está a parcela de renda destinada ao pagamento das dívidas. Em junho, o percentual médio da renda comprometida ficou em 28%, superior aos 26,6% de abril. Apesar deste crescimento, o grau de comprometimento continua seguro, tornando muito difícil a possibilidade de ocorrer uma crise de inadimplência.
Análise das contas em atraso
O percentual de famílias inadimplentes também caiu em junho. Mensalmente, passou de 21,1% em maio para 20,2%. Em junho de 2011 o percentual foi de 24,8%. Isso se explica pela melhor situação financeira dos catarinenses neste ano, junto com as facilidades nas condições de pagamento das dívidas – o que além de ocasionar queda na inadimplência, gera maior segurança por parte das empresas para a expansão do crédito ao consumidor.
Analisando por faixa de rendimento, as famílias com renda maior que 10 salários mínimos estão em condições superiores ao das famílias com rendimento inferior a isso. Ao mesmo tempo em que apenas 6,6% das primeiras têm contas em atraso, 23% das segundas estão na mesma situação. Desta maneira a renda se apresenta como fator chave para entender a inadimplência.
Desfavorável é o fato de que 32,1% das famílias disseram que irão pagar totalmente suas dívidas em junho, enquanto número de maio era superior (43,2%). Por outro lado, o percentual daqueles que afirmaram que não conseguirão pagar suas dívidas em junho ficou em 34,9%, o que é menor que os 36% do mês anterior. Completa o quadro deste mês os 32,1% que pagarão suas contas atrasadas apenas parcialmente.
Já no tempo médio de atraso das contas, em junho ele ficou em 61 dias para as famílias do estado. O tempo é superior ao de maio (56 dias), o que sugere que os atrasos de longo prazo são os que menos foram quitados pelas famílias em junho.
Análise das famílias que não terão condições de pagar suas dívidas
Finalizando a pesquisa, 7% das famílias disseram que não terão condições de pagar suas dívidas futuras, percentual menor em relação ao mês passado (7,6%), mas maior quando comparado a junho de 2011 (6,6%). No entanto, este percentual é baixo, fazendo com que não haja expectativa de aumento na inadimplência.


