Faltam portas de saída para o Brasil, diz economista José Pio Martins

As perspectivas econômicas para o Brasil nas próximas décadas foi o assunto abordado pelo economista e reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins, em palestra ministrada na manhã dessa sexta-feira (17), no último dia do 29º Encontro Nacional de Sindicatos Patronais do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, na Expo Unimed, em Curitiba.

Martins apresentou uma análise conjuntural com base nos principais indicadores econômicos brasileiros. Para o economista, as taxas de juro e a inflação estão dentro da normalidade, ainda que nesse último fator o cenário ainda não seja o ideal. O desemprego também está controlado, ainda que em algumas atividades a remuneração fique aquém do esperado. “O Brasil melhorou muito da empresa para dentro, mas não tanto da parte da empresa para fora”, avaliou.

Os pontos mais críticos, na opinião do economista, referem-se à taxa de câmbio e ao custo Brasil, especialmente no que tange às deficiências em infraestrutura física, compreendendo os setores de transportes, energia e armazenamento. “O país cresceu muito, mas temos apenas duas portas de saída para o exterior, que são os portos e os aeroportos. São portas de saída menores do que o volume de carga”, ressaltou Martins.

A alta carga tributária também foi apontada como um ponto sensível, aliado à falta de investimentos públicos. O economista lembrou que 82% do que o país produz corresponde ao consumo. Os outros 18% referem-se aos investimentos, o que, para Martins, não sustenta um crescimento da produção em 5% nesse ano, conforme o previsto nas metas do governo.

Aumentar a renda per capita também é um desafio para a manutenção do ciclo virtuoso da produção e do consumo. Martins apresentou dados que revelam que, em 2010, a renda média do brasileiro era de US$ 10,6 mil ao ano, enquanto a do norte-americano era de US$ 55 mil ao ano. Além disso, atualmente, no Brasil, cerca de 13 milhões de brasileiros ganham um terço do salário mínimo e estão na linha da extrema pobreza.

Nesse cenário, a sobrevivência das empresas depende de três fatores: legalidade, qualidade e rentabilidade. Para isso, Martins sugere um conjunto de ações que envolva foco, investimentos em pessoas e tecnologia, adoção de um sistema de meritocracia e controle do passivo empresarial. Especificamente para o setor do comércio, o economista propõe a criação de uma Escola Nacional. “Se esperarmos que o poder público responda por isso, não vai acontecer. Ele vai dar a sua contribuição, mas a iniciativa deve ser da iniciativa privada”, opinou.

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Última atualização: 17 de maio de 2013