Fecomércio Debate a classe média brasileira com Bolívar Lamounier
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) recebeu, na manhã desta segunda-feira (26), empresários, estudantes e convidados interessados em debater os perfis da classe média brasileira e catarinense em mais uma edição do Painel Fecomércio Debate.
O tema “A Nova Classe Média Brasileira” foi posto em discussão pelo cientista político Bolívar Lamounier, convidado da Fecomércio e co-autor do livro “A Classe Média Brasileira: ambições, valores e projetos de sociedade”. Dentre muitos itens de sua explanação, Lamounier, falou dos aspectos vividos nas últimas três décadas, que são fatores determinantes para o surgimento da nova classe média. “A abertura da economia, o aumento do comércio internacional, bem como o crescimento do emprego e renda, foram imprescindíveis para a estabilização da economia brasileira, que gerou crédito farto e essa explosão de consumo pela classe média que temos visto atualmente”, explicou.
A visão de si mesmo, do ambiente em que vive e as perspectivas para um futuro próximo convergem no outro grande ponto abordado pelo cientista político, que explica “a classe média antiga tinha uma resignação típica das famílias com poucos ou menos recursos. A classe média de hoje, pensa em dar aos seus filhos uma vida melhor do que aquela que tiveram. Têm o desejo de adquirir o que há até pouco tempo era restrito a quem tinha um padrão de vida alto. Nunca a expressão ‘subir na vida’ esteve tão presente”, reforçou Lamounier.
Na mesma linha do crescimento nacional, Santa Catarina aparece em franca expansão. Os números estaduais foram apresentados pelo diretor executivo da Fecomércio, Marcos Arzua, com base na recente pesquisa da Federação, “A Classe Média Catarinense: tendências de consumo e comportamento”.
Na pauta do Painel Fecomércio Debate, que contou com a participação do presidente da entidade, empresário Bruno Breithaupt, do vice-presidente de Varejo da Fecomércio, Cláudio Salfer, e do cientista político Bolívar Lamounier, entraram itens como a crise global, a flutuabilidade da moeda americana, o impacto da instabilidade econômica mundial no comércio catarinense. Por outro lado também foram discutidos aspectos como as expectativas do setor empresarial em relação ao consumo em ascensão da classe média, as tendências desse crescimento a curto prazo, e as ações possíveis para estender favoravelmente a situação até o final do ano, momento em que o consumo é refrescado pelas festas de final de ano.
O bom momento vivido pelo comércio varejista foi lembrado pelo vice-presidente de Varejo da Fecomércio, Claudio Salfer, que observou ainda a necessidade do empresário captar esse novo grupo com ações de incremento em suas vendas. “O varejo tem grandes oportunidades para atender essa nova classe média, consumidora em potencial. Deve-se aplicar a isso ações do empresário para aproveitar este momento favorável”, disse.
Para o presidente da Fecomércio, Bruno Breithaupt, apesar dos problemas na economia externa e nos pontos ainda a desejar na economia nacional, a boa situação vivida pela classe média tende a se estender. “Tudo passa pela empregabilidade, mas para isso será preciso manter Santa Catarina equilibrada. É preciso qualificar a mão de obra e melhor aplicar os recursos obtidos através da arrecadação de impostos. A volta da CPMF ou a criação de um novo imposto semelhante não vai resolver os problemas da saúde no Brasil. Acreditamos que dentre muitas coisas que precisam ser passadas a limpo no país, está a questão tributária. Apesar disso, acredito que até o final do ano, as compras e vendas se mantenham em ritmo normal”, concluiu Breithaupt.
O Painel Fecomércio Debate, que tem apoio do Grupo RBS foi mediado pela Jornalista e Economista, Estela Benetti.


