Índice Nacional de Preços ao Consumidor de março extrapola topo da meta de inflação
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) variou 0,47% em março, 0,13 pontos percentuais abaixo da variação registrada em fevereiro (0,60%). Na comparação com março do ano passado, o índice teve aumento de 0,26 pontos percentuais. Com esta nova aceleração inflacionária, o IPCA extrapolou o topo da meta de inflação (6,5%) definida pelo Banco Central.
Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio-SC), a elevação mostra certo descontrole inflacionário por parte das autoridades monetárias. Com isso, fica cada vez mais difícil o BC manter a taxa de juros no atual patamar reduzido, fato muito preocupante, já que o juro baixo é condição necessária para uma recuperação do investimento no país.
No acumulado de 2013, o IPCA marcou 1,94%. Em 12 meses, o índice ficou em 6,59%, acima do registrado nos últimos 12 meses anteriores (6,31%), e também acima do teto da meta de inflação do Banco Central.
Conforme o economista da Federação, Maurício Mulinari, o que deve ser feito por parte do governo federal para evitar a volta dos juros elevados é um combate da inflação via redução do déficit público e aprofundamento das desonerações fiscais, equação que só pode ter sucesso com uma maior racionalização do setor público, com menos gastos e mais qualidade no serviço prestado.
“Por parte do setor privado, o combate à inflação só será efetivo se houver um reequilíbrio entre ganhos salariais e ganhos de produtividade, já que o forte crescimento do primeiro, aliado à estagnação do segundo, tem gerado aumento de custos e consequente repasse para o preço final”_enfatiza Mulinari.
Habitação e Comunicação tiveram alta
Com exceção do grupo habitação (-2,38% em fevereiro para 0,51% em março) e comunicação (0,10% para 0,13%), todos os demais grupos registraram resultado abaixo do obtido no mês anterior, contribuindo para a redução mensal do índice.
Os outros resultados foram: despesas pessoais (de 0,57% em fevereiro para 0,54% em março), saúde e cuidados pessoas (0,65% para 0,32%), transportes (0,81% para -0,09%), alimentos e bebidas (de 1,45% para 1,14%), habitação (de -2,38% para 0,51%), artigos de residência (0,53% para 0,11%) e vestuário (de 0,55% para 0,15%).
No grupo de despesas pessoais, o item em destaque foi o emprego doméstico, que mostrou alta mais elevada, ao passar de 1,12% em fevereiro para 1,53% em março. No grupo dos transportes, destaque para queda do preço das passagens aéreas, que já haviam caído 9,98% em fevereiro, e em março caem 16,43%. Já a gasolina teve inflação de 0,09% em março.
O INPC, por sua vez, variou 0,60% em março, 0,08 ponto percentual acima da variação registrada fevereiro (0,52%). No acumulado de 2013 marcou 2,05%, acima dos 1,08% relativos ao mesmo período de 2012. O acumulado de 12 meses ficou em 7,22%, maior do que o acumulado de 12 meses apresentado em fevereiro (6,77%). Os produtos alimentícios apresentaram variação de 1,16% em março, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,36%.


