Inflação em queda pode gerar novos cortes na Selic

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) tiveram leve crescimento mensal em junho. Enquanto o IPCA variou 0,08% em relação a maio, o INPC teve movimentação de 0,26%.

Na avaliação da Fecomércio a trajetória da inflação no Brasil vem seguindo o mesmo caminho percorrido pela inflação no mundo todo em grande parte devido à desaceleração da economia chinesa e à crise europeia, que ao reduzir a demanda global, acabaram aliviando a pressão sobre os preços, e também em virtude das medidas de desoneração fiscal para alguns produtos, como os automóveis e os eletrodomésticos, por exemplo.

Os dados divulgados pelo IBGE revelam que nos últimos 12 meses, o IPCA variou 4,92%. Novamente houve desaceleração na comparação com o mesmo período fechado no mês anterior – que havia sido de 4,99%. Este fator demonstra que a trajetória da inflação está seguindo em direção ao centro da meta do Banco Central (4,5%).

Já o INPC variou 0,26% em junho. O valor é menor do que resultado alcançado em maio (0,55%) e também inferior ao de junho de 2011 (0,22%). Nos últimos 12 meses a variação (de 4,90%) é um pouco superior, mas bastante próxima da variação constatada nos últimos doze meses de fechados em maio (4,86%).

O IBGE considerou a redução do IPI para automóveis, vigente desde 21 de maio, fator decisivo para a queda da inflação em junho. Já que o grupo ‘transporte’, através dos itens ‘automóveis novos’ e ‘automóveis usados’, foi o principal responsável pelo resultado do IPCA de junho. Juntos impactaram o índice em –0,26 ponto percentual. A queda nos preços também foram facilitadas. Variação de -5,48% para veículos novos e -4,12% para os seminovos.

Para a Fecomércio o atual momento deve influenciar novas quedas na taxa básica de juros da economia brasileira. A Selic, que atualmente é de 8,5%, provavelmente deverá passar por novas reduções nas próximas reuniões do Copom. Medida favorável, já que uma das condições necessárias para a recuperação da taxa de investimento da economia brasileira é um patamar de juros menores.

A Fecomércio lembra ainda que novos cortes na taxa Selic não devem trazer riscos de aceleração inflacionária, desde que medidas protecionistas, com restrição de repasse dos preços menores do exterior para a economia nacional, não sejam adotadas.

Categorias: Notícias
Última atualização: 6 de julho de 2012