Mercado interno domina altas do 2º trimestre
Fonte: Valor On line
Com economia doméstica bombando, nível de emprego e renda em alta, as ações ligadas ao consumo interno conseguiram cravar bom desempenho na bolsa ao longo de mais um trimestre.
No rol das ações do Ibovespa com altas expressivas – especialmente levando em conta o tombo de 13,41% do índice no período -, destaque para as ordinárias (ON, com voto) da Lojas Renner, no topo do ranking, com alta de 22,42% no trimestre.
Tem ainda Natura ON, com valorização de 10,80% no trimestre; as preferenciais (PN, sem voto) da Ambev (+10,37%) e as PN classe A do Pão de Açúcar (+7,14%). Fora do índice, chamam atenção Lojas Marisa ON, com ganho de 33,24%; e Cia Hering ON, que subiu 35,58%.
“Mesmo com a alta de juros, que encarece o crédito, o consumo no Brasil ainda está muito elevado, e é isso que pesa mais para o desempenho favorável do setor de varejo”, acredita a analista de varejo da Brascan Corretora, Julia Monteiro. Ela ressalta, porém, que a continuidade do movimento de alta na bolsa vai depender dos resultados das empresas no segundo trimestre.
Todos os indicadores macro já estão, em boa parte, embutidos nos preços das empresas do setor, por isso a valorização. Para Julia, o que as companhias precisam agora é mostrar que conseguiram capturar esse cenário, melhorando as operações.
A Itaú Corretora destaca, em relatório, que a combinação do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita com aumento de renda e redução das desigualdades nos últimos anos contribuiu para a criação de um novo mercado consumidor interno. Mais de 32 milhões de brasileiros prosperaram, subindo de classe social desde 2003. Na visão da corretora, essa mudança estrutural é a principal razão para continuar apostando em ações ligadas ao consumo interno.
Cida Souza, estrategista da Itaú, afirma que, apesar de o mercado interno continuar muito forte, há poucas opções de empresas na bolsa expostas ao consumo doméstico que combinam um bom potencial de valorização com liquidez e governança. “O setor não está barato, mas, com a escassez de nomes, o investidor acaba aceitando múltiplos maiores para ter exposição ao mercado interno.”
Renner é um caso desses. A empresa, contudo, foi alvo de revisão para cima de estimativas pela Itaú, por conta do anúncio recente de um formato de lojas mais compacto, para cidades menores. A corretora passou a trabalhar com preço-alvo de R$ 59,80, um potencial de valorização de mais 22%.
Natura é outra que tem ganhos para capturar. Segundo Julia, da Brascan, a empresa está em fase final de implementação do novo modelo comercial, que amplia significativamente o número de consultoras na rua. Além disso, aposta na expansão de suas atividades internacionais, especialmente no México. O potencial de alta para as ações da empresa, porém, é pequeno.
As perspectivas para o Pão de Açúcar também são positivas. Segundo Cida, da Itaú, o papel sofreu com o revés na fusão com as Casas Bahia anunciada no fim de 2009, mas voltou a andar com a proximidade de um acordo e tem tudo para tirar o atraso. A Fator Corretora trabalha com preço-alvo em dezembro de 2010 para a empresa de R$ 85,00, um potencial de alta de 35%, de olho no aumento da participação do segmento de eletroeletrônicos.
Ambev é outra que se beneficia do aumento do poder de compra da população e do consumo, especialmente em ano de Copa. Para o papel, a projeção da Fator é de R$ 206,38, um espaço para 14,7% de alta.


