Rebaixamento da nota do Brasil reafirma da necessidade de reformas urgentes
A Standard & Poor’s, agência de classificação de risco, rebaixou a nota do Brasil na noite de ontem. Passou de BBB para BBB-, o último nível considerável como grau de investimento. O último rebaixamento do país havia ocorrido em 2002, em meio ao nervosismo dos mercados que antecedeu a eleição do presidente Lula.
Para a agência, o rebaixamento reflete uma “derrapagem da política fiscal, havendo uma deterioração dos indicadores econômicos do país”. De fato, a meta do superávit primário de 1,9% em 2014 está comprometida. Em fevereiro, por exemplo, o resultado ficou US$ 4 bilhões aquém daquilo que o governo havia previsto, apesar do próprio prometer austeridade.
Os efeitos da medida poderão ser observados já nos próximos dias, com a provável desvalorização do real, porém, os impactos serão amenizados pelo fato do mercado já ter previsto antecipadamente este rebaixamento e incorporado às suas expectativas.
Tal decisão, no entanto, apesar de expressar uma real deterioração de alguns indicadores econômicos internos, deve ser analisada com cautela. O Brasil ainda é um país seguro para investimentos, sendo um dos principais receptores de investimento externo do mundo. No ano passado, mesmo com um superávit primário abaixo do planejando, o Brasil logrou reduzir tanto a dívida bruta (de 58,8% para 57,2% do PIB) como a dívida líquida (de 35,3% para 33,8% do PIB). Apresenta também um montante seguro de reservas internacionais e o nível de emprego não foi afetado ao longo desses anos, diferentemente de países com notas mais altas.
O que deve ser tirado deste rebaixamento é a forte necessidade de mudanças estruturais no ambiente de negócios brasileiro. Melhorias urgentes na infraestrutura, reformas tributária, política e trabalhista inadiáveis e redução da burocracia são decisões de política econômica que não podem esperar um novo rebaixamento para se materializarem.


