Sobretaxação nas vendas parceladas sem juros derrubaria consumo
A Fecomércio SC considera extremamente prejudicial a atual proposta de alguns bancos que querem cobrar taxa extra aos varejistas para que os mesmos realizem vendas parceladas sem juros por meio dos cartões de crédito. A movimentação de alguns bancos neste sentido começou em função do novo enfrentamento feito pelo governo federal por via dos bancos estatais.
Nas últimas semanas, o governo começou a baixar consistentemente as taxas de juros do crédito rotativo. Esta medida que obrigou os bancos privados a também baixarem suas taxas. Como compensação, alguns bancos começaram a discutir a sobretaxação das operações em questão, ou seja, repassar o “ônus” da ação estatal para as empresas do varejo.
A proposta foi levantada recentemente por alguns bancos, baseada na afirmação de que o parcelamento sem juros no cartão de crédito é o principal responsável pelos altos juros do crédito rotativo do cartão de crédito, já que o mesmo propicia a inadimplência.
Entretanto, inúmeros estudos demonstram que o problema das altas taxas de juros do Brasil – inclusive a do rotativo – tem relação direta com o alto spread (diferença entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o que eles cobram ao conceder um empréstimo para uma pessoa física ou jurídica). Se for analisada a composição do spread, a parte correspondente à inadimplência é de 28,74%, enquanto que a parte relativa ao lucro dos bancos representa espantosos 32,73%.
É relevante destacar que, caso aprovada, a estratégia só traria os impactos negativos à economia. Como a medida trata fortemente das vendas parceladas, o consumo seria o principal elemento a ser duramente afetado pela ação. Desta forma, justo no momento em que o principal motor da economia brasileira, o consumo, começa a se recuperar, uma manobra bancária desta amplitude medida traria frustração para o crescimento do país neste ano, com sérias repercussões para as perceptivas de 2013.
Tanto é assim que a equipe econômica do governo federal já declarou que não aceita a prática proposta pelos bancos, posição acertada, na opinião da Fecomércio SC. Se o panorama não é favorável em função dos diversos e elevados custos atrelados à economia doméstica, permitir que uma nova taxação bancária se consolide é o mesmo que fechar as portas para a recuperação do crescimento do Brasil.


