Análise Econômica da PEIC e ICF – jan/2011 – Florianópolis – SC

A FECOMÉRCIO gera, sistematicamente, pesquisas para contribuir com a gestão dos negócios dos setores de comércio, serviços e turismo. Mensalmente, são realizadas pesquisas sobre a Intenção de Consumo das Famílias e a de Endividamento e Inadimplência do Consumidor

A Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias tem como objetivo produzir um indicador inédito com capacidade de medir, com a maior precisão possível, a percepção que as famílias têm sobre seu nível futuro de propensão a consumir em curto e médio prazo. Em outras palavras, um indicador qualitativo e antecedente de vendas do comércio, a partir do ponto de vista das famílias tornando-o uma ferramenta poderosa para o varejo, fabricantes, consultorias, instituições financeiras e até mesmo, para o planejamento público. Trata-se de indicador que pode ser utilizado pelo setor privado no seu planejamento de estoques, política de pessoal, investimentos e gestão de caixa.Para o setor público, um indicador auxiliar ao se estimar receitas do setor.

De igual importância é a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor que gera informações sobre a o grau de comprometimento financeiro do consumidor.

Ambas as pesquisas, realizadas em janeiro deste ano, revelaram aspectos interessantes do direcionamento da economia, tendo por base o município de Florianópolis.

Chama a atenção, entre outros indicadores, na Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias a situação do emprego atual que, pelo índice criado, situa-se 10 pontos acima do verificado há um ano. Trata-se do maior índice alcançado nos últimos 13 meses. Dos entrevistados, 58% disseram estar mais seguros com relação ao emprego do que estavam ano passado no mesmo período.

No que tange à renda familiar nos últimos 13 meses, houve uma evolução de cerca de 5 pontos. Contudo, houve uma queda de 20 pontos comparando-se os meses de janeiro de 2011 e 2010, no que se refere à perspectiva profissional.

No que concerne à Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, deve ser destacado, em primeiro lugar, que o fato de uma pessoa estar endividada não significa que sua situação financeira esteja abalada. Depende do grau de endividamento de sua situação pessoal, do nível de comprometimento desse endividamento em relação à sua renda. Há também, os que estão endividados, mas pagando seus compromissos com atraso. Finalmente, há aqueles que nem com atraso estão pagando seus compromissos. Ou seja, são inadimplentes confirmados e afirmaram, no momento da pesquisa, que não teriam condições de pagar seus compromissos.

O que mais se destaca nessa última pesquisa, realizada este mês, é que 86% das famílias estavam endividadas. É o maior percentual de endividamento dos últimos 13 meses e supera amplamente o maior índice anterior, ocorrido no mês de maio de 2010: 74%. Além disso, 23% das famílias estavam com dívidas em atraso e 8% declararam que não teriam condições de pagar seus compromissos.

Qual a interpretação que podemos dar a esses números, pois é isso que importa? Essa era uma situação anunciada e perfeitamente, previsível. Com a melhora da economia, a migração social para a classe “c” de mais de 23 milhões de brasileiros nos últimos 8 anos, com aumento da renda pessoal, com a injeção do 13º salário na economia, a facilidade de crédito, os sinais visíveis de aquecimento da economia e o clima psicológico de euforia com as festas natalinas, é natural que o consumo aumente. Naturalmente, expande-se a probabilidade de endividamento e de inadimplência, conforme revelou a pesquisa.

A ninguém interessa essa situação de aumento da inadimplência que impacta, negativamente, o funcionamento da economia ao prejudicar vendas por alijar do mercado os inadimplentes. Essa é uma situação que não afeta somente os consumidores do Brasil, ou, no caso da pesquisa, os moradores de Florianópolis. Movimento internacional, que em nosso país é chamado de Estratégia Nacional de Educação Financeira – ENEF, tem como objetivo criar uma cultura nacional de educação financeira de forma a contribuir para minimizar os reflexos da inadimplência e ensinar, desde o ensino fundamental, questões relativas ao uso do dinheiro. Enfim, preparar para a vida. O país vai precisar.

Categorias: Pesquisas
Última atualização: 24 de fevereiro de 2011