Resultado da PMC de julho ainda revela impacto da Copa do Mundo na retração do comércio
O resultado da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE, revela que, em Santa Catarina, houve variação de 0,9% no volume de vendas em julho na comparação com o mesmo mês do ano anterior e de -6,3% na comparação com o mês anterior. No acumulado de 12 meses, entretanto, o volume de vendas reduziu-se de 3,3% em junho para 2,1% em julho. Quanto à receita nominal, a variação acumulada em 12 meses é de 8,4%; é o resultado mais baixo desde dezembro de 2006, quando fechou em 7,7%.
Para a Fecomércio SC, o resultado ainda é reflexo da realização da Copa do Mundo no país, mesmo que ela tenha se encerrado no dia 13 de julho. A redução de dias úteis para venda e a retenção da renda das famílias nas compras anteriores ao evento (televisores, por exemplo) ou na demanda por serviços relacionados à Copa (como ingressos de jogos, viagens, hospedagem, bares e restaurantes, etc.) foram fatores fundamentais para este resultado. Além disso, estes números, estruturalmente, também estão associados a outras variáveis econômicas, como mercado de trabalho, que perdeu seu dinamismo de outrora, os rendimentos reais do trabalho que não crescem como antes, a inflação que se mantém beirando o teto da meta e o acesso ao crédito que se reduziu consideravelmente nos últimos anos.
Em Santa Catarina, por exemplo, houve queda de -7,6% no volume de vendas de móveis e -5,3% nas vendas de eletrodomésticos (ambos comparados com julho de 2013). Isso está associado ao percentual de domicílios com bens duráveis, como televisão, geladeira e máquina de lavar roupa, que aumentou exponencialmente na última década e, hoje, praticamente todos os domicílios catarinenses têm bens duráveis essenciais para vida moderna, o que impõe novos desafios para o comércio catarinense. Se antes a intenção maior era democratizar o consumo e consolidar um forte mercado interno, agora o desafio é diferenciar as vendas e buscar inovar. Soma-se, a isso, a urgência de uma reforma fiscal e trabalhista, capaz de retomar a competitividade do setor.
Números do Brasil
Em julho, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, o comércio varejista do país registrou variação de -1,1% no volume de vendas e de -0,7% na receita nominal, ambas as taxas em relação ao mês anterior (ajustadas sazonalmente). Na série de volume, este resultado não ocorre desde outubro de 2008, quando a variação também foi de -1,1%. Para a receita nominal, é o segundo mês consecutivo com taxa negativa, após 24 meses apresentando crescimento.
Nas demais comparações, obtidas das séries originais (sem ajuste), o varejo nacional apresentou, em termos de volume de vendas, taxas de -0,9% sobre julho do ano anterior e de 3,5% e 4,3% nos acumulados do ano e dos últimos 12 meses, respectivamente. Para os mesmos indicadores, a receita nominal de vendas apresentou variação de 5,9%, 9,8% e de 10,8%, respectivamente.
Em relação ao mês anterior, com ajuste sazonal, seis das 10 atividades registraram variações positivas em termos de volume de vendas. Em ordem de magnitude das taxas, os resultados foram: Veículos e motos, partes e peças (4,3%); Material de construção (3,8%); Livros, jornais, revistas e papelaria (2,1%); Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,9%); Combustíveis e lubrificantes (0,8%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,0%); Tecidos, vestuário e calçados (-0,1%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,4%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,3%); e Móveis e eletrodomésticos, com -4,1%.
Na relação de julho de 2014 contra julho de 2013 (série sem ajuste), para o varejo, duas atividades apresentaram resultados positivos. Os resultados, por ordem de importância na formação da taxa global, foram os seguintes: -9,2% para Móveis e eletrodomésticos; -4,4% para Tecidos, vestuário e calçados; -0,1% para Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; -8,5% para Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação; -12,4% para Livros, jornais, revistas e papelaria; -0,4% para Combustíveis e lubrificante; 6,1% para Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria; e Outros artigos de uso pessoal e doméstico, com 5,9%.
A atividade de Móveis e eletrodomésticos exerceu o maior impacto na formação da taxa do varejo, com decréscimo de -9,2%, no volume de vendas em relação a julho de 2013. Esta variação foi influenciada pelo menor ritmo de crescimento do crédito com recursos livres, que segundo o Banco Central, nos últimos 12 meses, passou de 9,2% em julho de 2013, para 5,0% em julho deste ano. Cabe ressaltar que as altas de preços dos principais produtos que compõem esta atividade estão acima do índice geral: a inflação de mobiliários foi de 8,4%, a de aparelhos eletroeletrônicos foi de 8,3%, contra o índice geral que foi de 6,5%, de acordo com o IPCA, nos últimos 12 meses.


