PNAD 2013 revela que indicadores sociais de desigualdade perderam fôlego
Os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013, divulgados nesta quita-feira pelo IBGE, impõem ao Brasil novos desafios. Os indicadores de desigualdade social, escolaridade (analfabetismo) e rendimentos reais, ainda que continuem evoluindo, perderam fôlego. Para a Fecomércio SC, aumentar a produtividade na economia brasileira é cada vez mais necessário, a fim de que se mantenha um crescimento sustentável na qualidade de vida dos brasileiros. Para tanto, é fundamental investir em educação e nas áreas de pesquisa e tecnologia, que são instrumentos capazes de fomentar a inovação e o progresso econômico. Outras medidas, como um verdadeiro ajuste fiscal e uma subsequente reforma tributária e trabalhista, também são essenciais para que o Brasil possa retomar a rota do desenvolvimento equilibrado.
A pesquisa mostrou que a população do país foi estimada em 201,5 milhões de pessoas, sendo 51,5% de mulheres, 46,1% de brancos e 37,6% de pessoas de 40 anos ou mais de idade. A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade ficou em 8,3%, o que corresponde a 13,0 milhões de pessoas e está muito acima da média estipulada para 2015: 6,7%. Quanto à escolaridade, reduziram-se de 2012 para 2013 as proporções de trabalhadores com fundamental incompleto (de 27,9% para 25,7%) e médio incompleto (6,7% para 6,5%) e aumentaram as proporções dos sem instrução (6,6% para 7,0%), com fundamental completo (10,3 para 10,5%), com ensino médio completo (30,0% para 30,4%), com superior incompleto (5,2% para 5,4%) e com superior completo (13,1% para 14,2%, a maior alta).
Emprego
A população desocupada cresceu 7,2% em relação a 2012, e a ocupada cresceu 0,6%. A taxa de desocupação se elevou de 6,1% para 6,5% em 2013 (foi o ano com a segunda menor taxa na série harmonizada de 2001 a 2013). O trabalho com carteira assinada, no entanto, continuou a crescer, subindo 3,6% em relação a 2012 e abrangendo 76,1% dos empregados do setor privado. O trabalho das crianças e adolescentes recuou 12,3% em relação a 2012, o equivalente a menos 438 mil crianças e adolescentes com idade entre 5 e 17 anos no mercado de trabalho. A desocupação medida pela Pnad caiu em 2013 apenas no Sul, onde o IBGE encontrou 637 mil desempregados, grupo 2,15% menor que o calculado no ano anterior. Com isso, a menor taxa de desocupação foi observada no Sul (4%), seguido por Centro-Oeste (5,7%), Sudeste (6,6%), Norte (7,3%) e Nordeste (8%).
Renda
O país registrou aumento real de 2012 para 2013. Segundo o instituto, a renda média mensal domiciliar, que inclui o Bolsa Família, correspondeu a R$ 2.983 mensais em 2013, aumento real de 4% sobre os R$ 2.687 de 2012. Essa alta é quase o dobro da taxa de crescimento observada para o mesmo período entre os 10% mais pobres, cuja renda média mensal domiciliar equivaleu a R$ 470 mensais no ano passado – 2,1% acima da de 2012 (R$ 460). A renda domiciliar dos 10% mais pobres crescia a ritmo bem mais intenso em 2012 – quando subiu 9,2% ante 2011. Assim, as medidas de distribuição de renda (índices de Gini) ficaram praticamente estáveis em todas as comparações com o ano anterior, mas melhoraram em relação a 2004. Todas as categorias de emprego obtiveram ganhos reais de rendimento do trabalho principal em 2013, sendo o mais expressivo entre trabalhadores sem carteira (10,2%).
Bens de consumo
No ano passado, os percentuais de domicílios que tinham fogão (98,8%) e televisão (97,2%) mantiveram-se os mesmos em relação a 2012. A fatia dos possuíam geladeira aumentou um pouco, de 96,7% para 97,3%. O número de domicílios particulares permanentes no país foi estimado em 65,1 milhões em 2013, 85,3% deles com rede de água, 64,3% com rede de esgoto, 89,8% com coleta de lixo, 99,6% com iluminação elétrica e 92,7% com telefone. O percentual de domicílios que tinham computador com acesso à Internet aumentou para 43,1%. Cerca de 86,7 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade acessaram a Internet no período de referência dos últimos três meses em 2013, 50,1% do total nessa faixa etária.
A pesquisa mostrou ainda que, de 2012 para 2013, ocorreu elevação de 4,8% no número de domicílios em que ao menos um morador possuía carro para uso pessoal, chegando a 28,4 milhões de unidades (ou 43,6% do total). Também houve aumento de 1,4% no número de domicílios com motocicletas, presente em 12,9 milhões de residências (ou 19,9% do total).
Fonte: IBGE


