De olho na linha de chegada

Atualizado em 21 outubro, 2020

Se um ano atrás analistas de mercado falassem que em 2020 teríamos uma reviravolta mundial na economia, no estilo de vida e no comportamento de consumo, certamente seriam taxados de alarmistas. O fato é que a pandemia desencadeou mudanças de proporções globais – em Santa Catarina, os indicadores econômicos registraram quedas históricas, porém hoje já é possível vislumbrar um cenário menos pessimista.

Ainda há um quadro de incertezas e apreensão no mercado, mas os dados recentes de emprego, vendas do varejo e de alguns segmentos do setor de serviços indicam que o Estado começa a recuperar o fôlego. Não sabemos, no entanto, quanto tempo vai demorar para respirarmos aliviados, com os níveis de atividade pré-pandemia. Santa Catarina tem uma maratona pela frente.

Com a pandemia, cerca de 110 mil vagas formais foram fechadas entre março e maio, mas já no mês de junho o estado registrou saldo positivo, que se acelerou nos meses seguintes puxado pela indústria.

O comércio foi duramente impactado nos primeiros meses da pandemia e já dá sinais de retomada pelo quarto mês consecutivo, com alta de 3,6% no volume de vendas do varejo ampliado em agosto, apontando para uma recuperação mais sustentada. Ainda assim, continua a enfrentar problemas localizados em alguns segmentos. O saldo de emprego de março a agosto é de quase 19 mil pessoas a menos no setor.

Já o setor de Serviços- que vinha cambaleando nos últimos anos, mas tinha apresentado números animadores no final de 2019- foi afetado em cheio com a mudança de comportamento imposta pela pandemia.  O volume de serviços caiu 21,5% em abril na comparação com mesmo mês do ano passado – a maior queda da série histórica, iniciada em 2011 e que só é comparável às maiores crises da história do país, como a que ocorreu no início da década de 1930 ou a de 1980, que foi denominada “década perdida”. Do início da pandemia até agosto o setor encolheu, fechando 28 mil vagas.

A recuperação de outros setores pode ajudar a minimizar as perdas dos serviços prestados às empresas, mas ainda é cedo para ser otimista, pois os serviços prestados às famílias dependem de muitas variáveis, como emprego, comportamento do consumo, crédito, medidas sanitárias, etc.

Medidas amorteceram queda

Diversas medidas foram aplicadas na economia para evitar rombos maiores, com estímulos monetários, fiscais e creditícios. Vários deles, porém, estão agora com horizonte de redução ou transição, principalmente devido às pressões que exercem nas contas públicas. O déficit em 2020 se encontra em níveis bastante preocupantes de desequilíbrio e há muitas incertezas sobre os rumos do orçamento e arrecadação para o próximo ano.

Uma das principais medidas foi o Auxílio Emergencial, direcionado principalmente aos setores informais e mais vulneráveis da sociedade. A injeção foi de quase 4 bilhões entre abril e agosto em Santa Catarina, ainda que seja o estado com menor uso proporcional do programa, com 24,8% dos domicílios catarinenses recebendo as parcelas de 600 ou 1200. Trata-se, portanto, de uma medida de forte estímulo ao comércio, que foi bem sucedida ao evitar as perdas de renda relacionadas a afastamento, demissões e reduções ou suspensões contratuais.  Com a redução de 50% a partir de setembro é possível que alguns segmentos que foram mais beneficiados pela política voltem a enfrentar dificuldades.

Menos incerteza, mais alerta

As inseguranças iniciais em relação à pandemia reduziram com o avanço das informações sobre a doença, a implementação de protocolos de segurança e testagem para reduzir a transmissão, e as medidas econômicas de curto-prazo. Porém, precisamos ficar alertas em relação aos riscos macroeconômicos, como o crescente déficit público, inflação em determinados itens e setores, e a deterioração das condições de crédito e das taxas de juros, que pode vir a prejudicar o ambiente de negócios no futuro.

Caso Santa Catarina mantenha a tendência de recuperação e não haja maiores pressões negativas – tanto no ambiente macroeconômico e político, quanto na evolução da pandemia- a economia tende a apresentar uma perspectiva mais positiva em 2021. As vendas do Natal devem aquecer a economia e ajudar as empresas a fechar o ano com o caixa mais equilibrado. Da mesma forma que o Estado largou na frente na adoção do lockdown, seremos também um dos primeiros a voltar à ativa, assim como em outras crises enfrentadas anteriormente.

Artigo originalmente publicado no portal SCC10

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