Impactos da pandemia em SC

Atualizado em 28 maio, 2020

Depois de mais de 60 dias de quarentena, as consequências da crise ampliada pelo coronavírus ganharam dimensões preocupantes em Santa Catarina. A Fecomércio SC vem monitorando o comportamento do mercado e os reflexos na vida dos catarinenses desde o início da pandemia para gerar dados e informações consistentes para a tomada de decisão.

A quarta sondagem da entidade, realizada no final de abril, aponta que sete a cada dez catarinenses tiveram algum tipo de impacto profissional, como redução ou suspensão das atividades (26%), conforme empresários e autônomos, e trabalho em casa sem prejuízos salariais (14,1%). Os setores de comércio e serviços, que empregam cerca de 1,2 milhão de pessoas no Estado, passaram os últimos dois meses de portas fechadas ou com atendimento reduzido, encolhendo não só o faturamento das empresas, mas a renda das famílias. A redução de jornada e salário (10,8%) foi o terceiro impacto mais citado, seguido pelas demissões (9,4%).

De acordo com as empresas entrevistadas, as principais medidas de adaptação diante da nova realidade foram: reforço com a higiene e disponibilização dos itens de prevenção para clientes e colaboradores (83%), utilização de tele-entregas (52,7%), suporte comercial pelo telefone (43,5%), férias ou liberação de colaboradores de grupos de risco (32,8%), entrega por meio de aplicativos (28,7%) e intensificação de canais de vendas on-line (20,2%). Como as determinações foram divulgadas conforme a quantidade de casos, cidade/região e segmento, os empresários precisaram se adequar de forma rápida para retomar os negócios. Mais de 90% afirmaram estar bem informados sobre a pandemia e as obrigatoriedades do seu setor. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado pela Fecomércio SC, caiu de 114,9 pontos para 69,2 em maio, queda de 39,7%- a maior variação da série histórica.

A extensão dos prejuízos vai além das questões econômicas. Quase 90% dos entrevistados relataram impactos na vida pessoal. A quarentena impôs um novo comportamento e a necessidade de manter distância das pessoas em geral e de familiares (46,1%) foi sinalizada como a maior dificuldade enfrentada no período, à frente da insegurança financeira (10,6%) e do abalo emocional/psicológico (4,9%).

Diante deste cenário complexo, as medidas e estratégias para conter o avanço do novo coronavírus precisam ser realizadas em diferentes esferas e âmbitos: incentivos fiscais e financeiros para proteger o mercado interno, ações efetivas de saúde pública, como a testagem em massa, distribuição da renda à população mais frágil e o cumprimento rigoroso das regras por parte da população. Agora é hora unir esforços de todos os setores da sociedade para que os danos sociais e econômicos sejam mitigados em Santa Catarina.

Publicado originalmente no jornal Noticias do Dia em 23/05/2020

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